Senador retirou pedido que acusava abuso de poder político nas eleições de 2022; processo estava pautado para julgamento e já havia sido rejeitado no TRE.
O senador Irajá Silvestre (PSD) desistiu do recurso ordinário eleitoral que pedia a cassação dos diplomas do governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos), e do vice-governador Laurez Moreira (PSD), por suposto abuso de poder político nas eleições de 2022.
A ação foi inicialmente apresentada por Irajá por meio de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije), mas acabou sendo rejeitada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO) em 2024. Mesmo assim, o senador havia recorrido da decisão, levando o caso para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde o processo seguia na pauta de julgamento e tinha previsão de análise em plenário virtual.
Com a desistência formal do recurso, o caso tende a ser encerrado de forma definitiva no TSE.
Disputa política e contexto
Irajá e Wanderlei estiveram em lados opostos na disputa pelo Palácio Araguaia em 2022. O senador terminou a eleição em quarto lugar e, após o resultado, ingressou com a ação contra a chapa vencedora, formada por Wanderlei Barbosa e Laurez Moreira.
À época, Laurez era filiado ao PDT, mas passou a integrar o PSD em agosto de 2025. Atualmente, os dois vivem um racha político público, com divergências internas no governo estadual.
O que dizia a ação
Na ação apresentada à Justiça Eleitoral, Irajá acusava a chapa de:
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Uso de agentes públicos durante a campanha;
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Emprego da estrutura da Secretaria de Comunicação do Estado;
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Propaganda institucional em período vedado;
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Produção e envio de releases oficiais em benefício eleitoral.
O TRE-TO entendeu que não havia provas suficientes para caracterizar abuso de poder capaz de interferir no resultado das eleições e, por isso, negou o pedido de cassação.
Já no TSE, a Procuradoria-Geral Eleitoral chegou a se manifestar pelo provimento parcial do recurso, defendendo apenas a aplicação de multa, ao considerar que houve excesso na divulgação de obras e ações do governo. No entanto, o órgão também afirmou que não existiam provas robustas capazes de justificar a cassação dos mandatos.
Situação atual
Com a desistência de Irajá, o processo deve ser encerrado pelo TSE sem julgamento de mérito, mantendo válidos os mandatos de Wanderlei Barbosa e Laurez Moreira.
A decisão marca um novo capítulo na relação política entre os envolvidos e ocorre em um momento de tensionamento público entre o governador e seu vice, que hoje integram o mesmo partido, mas vivem um cenário de rompimento político.




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