A investigação da Polícia Federal que culminou no afastamento do governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos), conseguiu recuperar selfies que mostram grandes volumes de dinheiro em posse do operador financeiro Marcus Vinícius Santana, ligado ao esquema de desvios investigado. As imagens foram incluídas no relatório do ministro Mauro Campbell, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que determinou o afastamento do governador e da primeira-dama, Karynne Sotero Campos, durante a segunda fase da Operação Fames-19.
O esquema investigado envolve desvio de recursos públicos destinados à compra de cestas básicas durante a pandemia de Covid-19, com prejuízo estimado em mais de R$ 73 milhões aos cofres públicos. Segundo o relatório, Marcus Vinícius aparece em fotos segurando maços de dinheiro, tanto no carro quanto em sua mesa de trabalho, representando pagamentos de propina ao governador e a outros agentes envolvidos.
Marcus é filho de Taciano Darcles, ex-assessor especial de Wanderlei, exonerado em agosto de 2024 após seu nome aparecer como alvo da primeira fase da operação. Ele teria papel central no núcleo financeiro do esquema, realizando saques e transferências que eram repassadas a seu pai ou ao sobrinho do governador, Thiago Marcos, que posteriormente entregavam os valores em espécie aos envolvidos, incluindo o governador.
A investigação também aponta que Marcus e Taciano mantinham relações estreitas com Paulo César Lustosa, ex-marido da primeira-dama, que teria intermediado licitações direcionadas e transferido valores para Marcus. Conversas extraídas de celulares indicam que Paulo César orientava quais empresas seriam vencedoras de licitações para fornecimento de cestas básicas e frangos congelados, garantindo o desvio de recursos. Uma das empresas recebeu pagamentos de R$ 12,2 milhões para fornecimento de 50 mil frangos, parte do valor sendo destinada a Marcus.
Segundo a Polícia Federal, o esquema envolvia quatro núcleos criminosos: políticos, servidores públicos, empresários e o grupo financeiro responsável pela lavagem de capitais. Mais de R$ 97 milhões foram pagos em contratos, sendo que o prejuízo aos cofres públicos é estimado em R$ 73 milhões. Os crimes investigados incluem frustração ao caráter competitivo de licitação, peculato, corrupção passiva, formação de organização criminosa e lavagem de capitais.

A decisão do STJ afastou o governador e a primeira-dama, com base na existência de “crime em curso” e no risco de continuidade das práticas criminosas. O caso segue sendo investigado pela Polícia Federal, sem denúncia formal contra Marcus Vinícius ou Taciano Darcles até o momento.
Em nota, Wanderlei Barbosa classificou o afastamento como uma “medida precipitada” e uma “injustiça”, ressaltando que os pagamentos das cestas básicas ocorreram entre 2020 e 2021, período em que ele era vice-governador e não ordenador de despesas. Ele afirmou ainda que a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e a Controladoria-Geral do Estado (CGE) já realizaram auditorias sobre os contratos e que acionará os meios jurídicos necessários para reassumir o cargo.
Nota do governador:
“Recebo a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) com respeito às instituições, mas registro que se trata de medida precipitada, adotada quando as apurações da Operação Fames-19 ainda estão em andamento, sem conclusão definitiva sobre qualquer responsabilidade da minha parte. É importante ressaltar que o pagamento das cestas básicas ocorreu entre 2020 e 2021, ainda na gestão anterior, quando eu exercia o cargo de vice-governador e não era ordenador de despesa. Reforço que, por minha determinação, a PGE e a CGE instauraram auditoria sobre os contratos mencionados e encaminharam integralmente as informações às autoridades competentes. Além dessa providência já em curso, acionarei os meios jurídicos necessários para reassumir o cargo de Governador do Tocantins, comprovar a legalidade dos meus atos e enfrentar essa injustiça, assegurando a estabilidade do Estado e a continuidade dos serviços à população.”




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