Paulo César Lustosa Limeira, ex-marido da primeira-dama do Tocantins, Karynne Sotero Campos, é apontado pela Polícia Federal como um dos operadores do esquema de desvio de recursos públicos na compra de cestas básicas durante a pandemia de Covid-19. Segundo a investigação, ele teria recebido R$ 1.359.074,12 de empresas contratadas pelo governo para fornecer os produtos.
As apurações foram intensificadas na segunda fase da Operação Fames-19, deflagrada nesta quarta-feira (3), que investiga fraude em licitações, peculato, corrupção passiva, lavagem de capitais e formação de organização criminosa. O prejuízo estimado aos cofres públicos é superior a R$ 73 milhões.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou o afastamento do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) pelo prazo de 180 dias. A primeira-dama, que é secretária extraordinária de Participações Sociais, também foi afastada.
Segundo a PF, informações obtidas após apreensão do celular de Paulo César indicam que ele intermediava negociações de propina em contratos do governo e até em prefeituras. Conversas interceptadas também levantam indícios de envolvimento de Karynne Sotero, apontando que ela teria participação no esquema criminoso.
De acordo com o ministro Mauro Campbell, do STJ, a proximidade de Paulo César com a primeira-dama garantia seu amplo acesso à cúpula do governo, facilitando a execução dos desvios. “O teor dos diálogos evidencia, a um só tempo, não apenas o trânsito e a influência de Paulo César no governo do Estado, como também comprova o intenso envolvimento de Karynne Sotero e de seu esposo, o governador Wanderlei Barbosa, na medida em que todas as contratações dependiam da boa vontade do poder executivo estadual”, afirmou o ministro.
As investigações revelam que Paulo César realizou saques de R$ 665.015,63, indicando participação em atos de lavagem de dinheiro relacionados aos desvios. Apenas uma das empresas ligadas ao esquema efetuou 58 lançamentos em sua conta, totalizando R$ 521.263,81. Parte dos valores teria sido destinada à construção da Pousada Pedra Canga, registrada em nome dos filhos do governador, além da compra de gado e outras despesas pessoais.
O Instituto para o Desenvolvimento e Gestão Social Esportiva e Cultural (Idegeses), empresa contratada para produzir cestas básicas, é apontado como ineficiente no fornecimento, chegando a pegar produtos emprestados de outras empresas para ludibriar a fiscalização da Secretaria de Estado do Trabalho e Desenvolvimento Social (Setas). O instituto manteve vínculo com Karynne, que foi presidente entre 2013 e 2019 e, mesmo após deixar o cargo, continuava com as chaves da instituição.
Notas das defesas
Em nota, Wanderlei Barbosa afirmou que a decisão do STJ é “medida precipitada” e destacou que os pagamentos investigados ocorreram entre 2020 e 2021, quando ele era vice-governador e não ordenava despesas. A primeira-dama, Karynne Sotero, disse que irá comprovar a “ausência de participação nos fatos”.
Já a defesa do ex-governador Mauro Carlesse esclareceu que ele não tem relação com os fatos apurados, não sendo alvo de investigações ou imputações, e reiterou confiança nas instituições para o esclarecimento completo dos acontecimentos.




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