A Fazenda Santa Helena, localizada em Aparecida do Rio Negro e pertencente ao governador afastado Wanderlei Barbosa (Republicanos), foi mencionada no inquérito da Operação Fames-19 como uma das propriedades que teriam se beneficiado de insumos adquiridos em meio ao esquema investigado pela Polícia Federal.
Segundo os documentos, a empresa Nativa Mineração Ltda forneceu materiais destinados à fazenda, com pagamentos feitos por meio de uma operação registrada no Banco da Amazônia (nº 183-21/0021-8), em nome de Matheus Macedo Mota, apontado como operador financeiro do grupo. O relatório da PF destaca que as datas de processamento, vencimento e quitação, além dos valores, coincidem com os apresentados nas prestações de contas de um financiamento rural obtido junto ao banco.
De acordo com a investigação, essa movimentação pode indicar desvio de finalidade do crédito concedido, já que os insumos deveriam ter sido quitados com recursos do financiamento, mas acabaram vinculados a operações suspeitas. Para a PF, trata-se de indício de crime contra o sistema financeiro, além de lavagem de dinheiro.
O inquérito também aponta que parte dos valores movimentados em espécie foi apresentada como se estivesse destinada a despesas da Fazenda Santa Helena, funcionando como justificativa formal para recursos de origem ilícita. O relatório do Ministério Público Federal e da Polícia Federal conclui que a propriedade serviu como elo de sustentação do esquema de lavagem, uma vez que os pagamentos ligados ao financiamento rural foram utilizados para encobrir operações em dinheiro vivo que beneficiavam diretamente o governador afastado.
O documento judicial acrescenta que “Wanderlei Barbosa Castro não apenas desviou recursos públicos oriundos de contratos de fornecimento de cestas básicas durante o exercício de seu mandato, como também se valeu de empresários, servidores, assessores próximos e familiares, notadamente de seus filhos, para a ocultação e dissimulação do patrimônio ilicitamente auferido”. Ainda segundo a decisão, parte desses valores teria sido canalizada para a construção de um empreendimento de luxo na Serra de Taquaruçu, em Palmas.

Operação Fames-19
A segunda fase da Operação Fames-19 foi deflagrada nesta quarta-feira (3), resultando no afastamento de Wanderlei Barbosa e da primeira-dama Karynne Sotero por seis meses, por decisão do ministro Mauro Campbell Marques, do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A investigação apura o suposto desvio de recursos destinados à compra de cestas básicas durante a pandemia da Covid-19. Nesta etapa, a PF cumpriu 51 ordens judiciais, entre mandados de busca e apreensão e medidas cautelares, em endereços como o Palácio Araguaia, sede do governo estadual, e a Assembleia Legislativa do Tocantins (Aleto).




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