O empresário Paulo César Lustosa Limeira, ex-marido da primeira-dama afastada Karynne Sotero Campos, teria recebido R$ 1.359.074,12 de empresas contratadas para distribuir cestas básicas no Tocantins durante a pandemia de Covid-19. A informação consta na decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que autorizou a segunda fase da Operação Fames-19, deflagrada nesta quarta-feira (3).
De acordo com a Polícia Federal, Paulo César atuava como intermediador de propinas em contratos do governo do Tocantins e até de prefeituras, aproveitando-se de sua proximidade com a primeira-dama e do acesso à cúpula do Executivo estadual. Conversas encontradas em seu celular, apreendido na primeira fase da operação, citam Karynne Sotero e levantam suspeitas de que ela também teria participação no esquema.
Segundo o ministro Mauro Campbell Marques, relator do caso no STJ, “o teor dos diálogos evidencia, a um só tempo, não apenas o trânsito e a influência de Paulo César Lustosa no governo do Estado, como também comprova o intenso envolvimento de Karynne Sotero, primeira dama do Estado, e de seu esposo, o governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa Castro”.
Saques e movimentações suspeitas
Entre julho de 2020 e julho de 2022, Paulo César recebeu mais de R$ 1,3 milhão de investigados e empresas ligadas ao esquema e realizou saques de R$ 665 mil, levantando indícios de lavagem de dinheiro. O Coaf identificou 58 transferências feitas por uma única empresa para ele, somando R$ 521,2 mil.
Uma das companhias investigadas é o Instituto para o Desenvolvimento e Gestão Social Esportiva e Cultural (Idegeses), contratado para fornecer cestas básicas, mas que, segundo a PF, não entregava os produtos. A empresa utilizava cestas emprestadas de outros fornecedores para ludibriar fiscais da Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Social (Setas).
O Idegeses continuou recebendo repasses até julho de 2024, por meio da Secretaria Estadual dos Esportes e Juventude, já sob comando de Karynne Sotero. Ela presidiu o instituto entre 2013 e 2019, mas, segundo a polícia, manteve relação com a entidade mesmo após deixar o cargo, chegando a conservar as chaves da instituição.
Operação Fames-19
Na segunda fase da Operação Fames-19, a PF cumpriu 51 ordens judiciais, incluindo mandados de busca e apreensão e medidas cautelares em Palmas, na Assembleia Legislativa e em endereços ligados ao governo. O prejuízo estimado é de R$ 73 milhões, em contratos que somam R$ 97 milhões, firmados entre 2020 e 2024, nos governos de Mauro Carlesse e Wanderlei Barbosa.
O governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) e a primeira-dama foram afastados por 180 dias. Ele classificou a decisão como “medida precipitada”, enquanto Karynne disse confiar em sua defesa e reiterou que provará “ausência de participação nos fatos”.




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