sábado , 6 junho 2026
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Gabinetes de deputados do TO são alvo de busca da PF em ação que apura fraude na compra de cestas básicas

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Gabinetes de deputados do TO são alvo de busca da PF em ação que apura fraude na compra de cestas básicas
Assembleia Legislativa do Tocantins — Foto: Diretoria de Comunicação/Assembleia Legislativa/Divulgação

A manhã desta quarta-feira (3) foi marcada por uma grande operação da Polícia Federal na Assembleia Legislativa do Tocantins (Aleto). Dez gabinetes de deputados estaduais foram alvos de mandados de busca e apreensão no âmbito da 2ª fase da Operação Fames-19, que apura fraudes milionárias na compra de cestas básicas durante a pandemia de Covid-19.

Os nomes dos deputados Amélio Cayres, Claudia Lelis, Cleiton Cardoso, Ivory de Lira, Leo Barbosa, Jorge Frederico, Nilton Franco, Olyntho Neto, Valdemar Júnior e Vilmar de Oliveira aparecem nas investigações. Segundo a PF, boa parte do dinheiro desviado teve origem em emendas parlamentares. Só para a contratação das empresas suspeitas foram destinados R$ 38,2 milhões.

De acordo com os investigadores, planilhas apreendidas apontam supostos pagamentos de propina vinculados ao número de cestas básicas adquiridas. O esquema teria funcionado como uma espécie de “comissão fixa” por cada cesta comprada com recursos públicos.

O ministro Mauro Campbell Marques, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), determinou a suspensão do funcionamento das empresas investigadas, mas negou o afastamento dos deputados suspeitos, cabendo à própria Aleto dar prosseguimento às apurações. A Assembleia informou, em nota, que sua Procuradoria não teve acesso aos autos e desconhece os fundamentos que motivaram os mandados.

Governador afastado

A mesma decisão também atingiu o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) e a primeira-dama Karine Sotero Campos, secretária extraordinária de Participações Sociais. Ambos foram afastados dos cargos nesta quarta-feira. Wanderlei classificou a medida como “precipitada”, enquanto Karine afirmou que vai comprovar sua “ausência de participação nos fatos”.

Fraude milionária

Segundo a PF, o esquema teria movimentado mais de R$ 97 milhões em contratos entre 2020 e 2021, resultando em prejuízo superior a R$ 73 milhões aos cofres públicos. Os recursos teriam sido ocultados por meio de construção de empreendimentos de luxo, compra de gado e pagamento de despesas pessoais dos envolvidos.

Na primeira fase da operação, deflagrada em agosto de 2024, a casa e o gabinete do governador já haviam sido alvos de buscas, quando foram apreendidos R$ 67,7 mil em espécie, além de dólares e euros.

A Operação Fames-19 apura crimes de fraude em licitação, peculato, corrupção passiva, lavagem de capitais e organização criminosa.

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