O vereador Vinícius Pires (Republicanos) defendeu a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal de Palmas para investigar contratos de empresas terceirizadas da Prefeitura e cobrou o apoio dos demais parlamentares para viabilizar a proposta.
A manifestação foi publicada nas redes sociais do vereador após denúncias de atrasos salariais e anúncios de greves envolvendo vigilantes e trabalhadores do transporte coletivo da capital.
A proposta pretende apurar se a Prefeitura, sob a gestão do prefeito Eduardo Siqueira Campos (Podemos), realizou os pagamentos às empresas dentro dos prazos contratuais, se os recursos chegaram aos trabalhadores e como foi feita a fiscalização dos serviços.
“Quem trabalhou precisa receber. Palmas precisa de respostas”, afirmou Vinícius. Na publicação, ele também levantou questionamentos: “A Prefeitura pagou no prazo? As empresas cumpriram suas obrigações? Quem fiscalizou? Onde ocorreram as falhas?”.
Greves e denúncias de atrasos
Entre os casos citados está o dos vigilantes da empresa Montana. O sindicato da categoria denunciou atrasos salariais e convocou uma greve. A Prefeitura informou ter realizado repasses à empresa, mas a situação dos pagamentos aos funcionários continuou sendo motivo de cobranças.
No transporte coletivo, trabalhadores da Sancetur anunciaram paralisação para as 4h de terça-feira, 3 de novembro. A decisão foi aprovada em assembleia realizada em 23 de outubro pelo Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transportes Rodoviários e Operadores de Máquinas do Estado do Tocantins (Simtromet).
Segundo o sindicato, a empresa não estaria aplicando o piso salarial previsto na Convenção Coletiva de Trabalho de 2026 e não teria apresentado uma nova proposta desde junho, apesar das negociações mediadas pelo Ministério Público do Trabalho.
Os trabalhadores também reivindicam melhores condições de trabalho, instalação de banheiros e bebedouros e revisão de descontos nos contracheques. A entidade informou que pretende manter pelo menos 30% dos serviços durante a paralisação.
Vinícius também mencionou a situação dos médicos terceirizados das UPAs Norte e Sul. Em 20 de outubro, profissionais relataram à imprensa que haviam recebido apenas metade dos valores referentes a julho. A Secretaria Municipal da Saúde afirmou ter realizado repasses, enquanto a Medic360 apontou a Santa Casa como responsável pelos pagamentos.
Vereador cobra apoio dos colegas
O parlamentar afirmou que já havia apresentado, em 2025, uma proposta de CPI para investigar contratos emergenciais da Prefeitura, incluindo os relacionados ao transporte coletivo. Em fevereiro de 2026, também solicitou a realização de uma audiência pública para discutir atrasos nos pagamentos de trabalhadores terceirizados.
Na nova manifestação, Vinícius citou ainda episódios anteriores envolvendo as empresas RSN e Global e trabalhadores da limpeza urbana. Ele ressaltou que os registros de 2024 e 2025 precisam ser analisados separadamente e não comprovam, por si só, a existência de dívidas atuais.
“Convido os demais vereadores a apoiar essa investigação. A Câmara precisa dar respostas aos trabalhadores e à população. Investigar não substitui a obrigação de pagar a quem trabalhou”, declarou.
A instalação da CPI depende da obtenção do número de assinaturas exigido pelo regimento interno da Câmara Municipal. Até o momento, não há informação sobre a quantidade de vereadores que já manifestaram apoio à iniciativa.



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