Laura Gondim afirma que passou a ser hostilizada após divulgar esclarecimentos sobre o depoimento de Kathellen Moreira, investigada pela morte da criança de 3 anos, em Palmas.
A advogada Laura Gondim, responsável pela defesa de Kathellen Moreira da Silva, investigada pela morte do menino Gustavo Veloso, de 3 anos, em Palmas, afirmou estar recebendo ameaças, xingamentos e ataques nas redes sociais em razão de sua atuação no caso. Diante da situação, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Tocantins (OAB-TO) divulgou uma manifestação de solidariedade à profissional e repudiou a hostilização de advogados pelo exercício da profissão.
Em pronunciamento publicado nas redes sociais, Laura afirmou que os ataques começaram após a divulgação de uma nota pública na qual a defesa contestou interpretações sobre o depoimento de Kathellen à Polícia Civil.
A advogada criticou as tentativas de associar sua atuação profissional às acusações contra a cliente e defendeu o direito de exercer a advocacia criminal sem sofrer intimidações.
“É inaceitável a forma em que as pessoas criminalizam a profissão, a minha própria atuação, inclusive, como se atuar nesse caso me fizesse ser menos profissional ou me fizesse ser menos competente”, declarou.
Laura afirmou que respeita a família de Gustavo e lamenta profundamente a morte da criança. Entretanto, ressaltou que os questionamentos sobre a conduta de sua cliente devem ser discutidos no processo judicial, e não por meio de julgamentos nas redes sociais.
A profissional informou que pretende adotar medidas para identificar e responsabilizar os autores das ofensas e ameaças. Segundo ela, a OAB-TO já foi comunicada.
“Você pode sim discordar de mim, você pode sim ter as suas presunções, as suas análises subjetivas com que postam em rede social, os trechos de depoimentos, mas isso não te dá o direito de me humilhar, de xingar, de me atacar”, afirmou.
Defesa contesta interpretação de depoimento
A manifestação ocorreu após a divulgação de novos trechos dos depoimentos de Igor Veloso, pai de Gustavo, e Kathellen, madrasta da criança.
Em nota pública, a defesa sustentou que as declarações da investigada precisam ser analisadas dentro do contexto integral. Segundo Laura, Kathellen afirmou que não presenciou nem ouviu as agressões porque estava no quarto com a filha, então com cinco meses, amamentando-a.
A advogada também afirmou que as agressões teriam ocorrido em outra área da residência e que Igor teria impedido Kathellen de entrar no cômodo onde estava com Gustavo.
Ainda conforme a versão apresentada pela defesa, Kathellen teria ouvido um barulho e tentado verificar o que estava acontecendo, mas foi impedida pelo companheiro, que teria reagido com xingamentos e ameaças.
A nota acrescenta que a investigada só teria tomado conhecimento da morte da criança na segunda-feira, 3 de agosto de 2026, quando Igor teria apresentado a versão de que Gustavo havia se afogado.
A defesa também informou que Kathellen está presa há mais de 60 dias e sem receber a visita da filha bebê. A advogada afirmou confiar que outras provas apresentadas durante a ação penal demonstrarão a versão de sua cliente.
Mãe de Gustavo contesta versão apresentada
A manifestação da defesa também provocou reação de Sabrina Feitosa da Silva, mãe de Gustavo.
Em publicações nas redes sociais, ela contestou a versão apresentada por Kathellen e questionou a alegação de que a madrasta não teria conhecimento das agressões.
Sabrina afirmou que o filho mais velho de Igor teria ouvido as agressões e pedido ajuda a Kathellen. Também declarou que a investigada teria conhecimento de episódios anteriores de violência contra Gustavo.
A mãe ainda levantou questionamentos sobre a conduta dos envolvidos após a morte da criança, incluindo acusações relacionadas à limpeza da cena do crime e ao descarte de um telefone celular.
As declarações representam a versão apresentada por Sabrina nas redes sociais.
Advogada da família também manifesta solidariedade
A advogada Stella Bueno, que representa Sabrina, também se pronunciou sobre os ataques direcionados a Laura Gondim.
Mesmo atuando em lados opostos do processo, Stella declarou solidariedade à colega e destacou que divergências sobre estratégias jurídicas não justificam ameaças ou ofensas pessoais.
“Defender o direito de defesa não significa defender o crime. É defender a Constituição”, escreveu.
OAB-TO repudia hostilização de advogados
Em manifestação oficial, a OAB-TO afirmou que a atuação de advogados não pode ser confundida com os fatos atribuídos às pessoas que representam.
A entidade repudiou tentativas de intimidação e criminalização da advocacia em razão do exercício profissional.
A Ordem também destacou o artigo 133 da Constituição Federal, que estabelece a indispensabilidade do advogado à administração da Justiça, e reafirmou seu compromisso com a proteção das prerrogativas profissionais.
Caso Gustavo segue na Justiça
Gustavo Veloso morreu em 2 de agosto de 2026, em Palmas. Conforme os elementos apresentados na investigação, o laudo do Instituto Médico Legal apontou hemorragia interna provocada por lesões graves em diferentes partes do corpo, além de hematomas na cabeça e no intestino e laceração anal. Os exames também identificaram sinais de violência sexual.
Durante interrogatório, Igor Veloso admitiu ter agredido o filho, relatando que o episódio começou após encontrar a criança na piscina da residência. Ele reconheceu ter sacudido o menino, provocado uma batida da cabeça contra a parede e desferido chutes e pisões na região das costas e da barriga. Igor negou, entretanto, a prática de violência sexual.
Após a investigação, Igor e Kathellen foram indiciados e posteriormente se tornaram réus.
Igor responde por vicaricídio, estupro de vulnerável, tortura e fraude processual. Kathellen responde por vicaricídio, sob acusação de omissão diante das agressões contra o enteado, e fraude processual.
O processo segue na Justiça, onde as responsabilidades individuais dos acusados serão analisadas.



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