Operação Stuart investiga esquema de comunicação clandestina e tráfico de drogas comandado de dentro da unidade penal; ação cumpriu cinco mandados de prisão e 12 de busca e apreensão.
Detentos da Unidade Penal de Paraíso do Tocantins pagavam até R$ 500 para utilizar celulares por apenas 30 minutos dentro das celas. A cobrança foi identificada durante as investigações da Operação Stuart, deflagrada pela Polícia Civil nesta quinta-feira (29), para desarticular um esquema de comunicação clandestina e tráfico de drogas coordenado de dentro do sistema prisional.
A operação foi realizada pela 6ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (6ª DEIC), de Paraíso do Tocantins, e cumpriu cinco mandados de prisão preventiva e 12 de busca e apreensão nos estados do Tocantins e de São Paulo.
Somente em Paraíso do Tocantins, foram cumpridas quatro ordens de prisão e nove mandados de busca e apreensão.
Celulares eram levados para dentro das celas por fios
Conforme as investigações, os aparelhos celulares entravam na unidade prisional de maneira discreta, sendo puxados por fios até o interior das celas. Imagens obtidas pelos investigadores registraram o momento em que os dispositivos eram introduzidos no presídio.
O acesso aos telefones teria se transformado em uma espécie de comércio entre os próprios detentos. Áudios interceptados com autorização judicial revelaram reclamações de presos sobre os valores cobrados e as limitações impostas pelos responsáveis pelo esquema.
Em uma das gravações, um detento reclama do tempo permitido para realizar ligações. Em outro diálogo, um interno afirma ter pago R$ 500 para utilizar o telefone durante meia hora.
As investigações também apontaram que um integrante de uma facção criminosa paulista, localizado em Cotia (SP), seria responsável por operar a rede de comunicação. Segundo a Polícia Civil, ele tentou fugir ao perceber a chegada dos agentes, mas foi alcançado e preso.
Facção coordenava atividades criminosas de dentro da prisão
As investigações começaram em 2025, após a Polícia Civil identificar que o grupo utilizava a comunicação ilegal para ordenar roubos, tráfico de drogas, cobranças violentas de dívidas e ataques armados em Paraíso do Tocantins.
Para executar as determinações fora do presídio, os detentos contavam com a participação de companheiras e familiares que estavam em liberdade. Essas pessoas seriam responsáveis por cumprir ordens, movimentar valores ilícitos e organizar a distribuição de drogas.
Um dos investigados, de 35 anos, seria integrante de setores da cúpula da facção conhecidos internamente como “Sintonia da Fora do Ar” e “Pé Quebrado”. Conforme a investigação, ele fornecia suporte logístico para que presos do Tocantins continuassem atuando no tráfico de drogas mesmo estando encarcerados, além de manter contato frequente com detentos de diferentes cidades tocantinenses e de São Paulo.
Investigação identificou existência de “tribunal do crime”
Outro ponto apurado pela Polícia Civil foi a existência de um sistema interno de punições conhecido como “tribunal do crime”. Segundo os investigadores, o mecanismo era utilizado para aplicar sanções contra integrantes da facção e pessoas que descumprissem as regras impostas pela organização.
O investigado localizado em São Paulo teria atuado como uma espécie de juiz, analisando pedidos encaminhados por membros presos e decidindo sobre possíveis punições.
Entre as medidas identificadas estavam ameaças, agressões físicas, chamadas pelos integrantes de “madeirada”, e até determinações de morte contra pessoas que desrespeitassem as ordens do grupo.
Os nomes dos suspeitos não foram divulgados pelas autoridades.
Seciju se manifesta
Em nota, a Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju) informou que a Polícia Penal participou de forma integrada com a Polícia Civil das buscas realizadas em Paraíso do Tocantins.
A pasta afirmou que mantém rotinas contínuas de segurança no sistema prisional, incluindo revistas estruturais minuciosas, periódicas e aleatórias nas celas e alas, além de controle rigoroso de acesso de visitantes.
A secretaria também reiterou o compromisso com a legalidade, a transparência e a cooperação com os órgãos de segurança e inteligência no combate às organizações criminosas.
Confira a nota da Seciju:
“A Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju) informa que atuou de forma integrada com a Polícia Civil, por meio da Polícia Penal, nas buscas realizadas na manhã desta quinta-feira, 29, em Paraíso do Tocantins.
A pasta esclarece que, para coibir o ingresso e a circulação de itens proibidos no sistema penitenciário, a Polícia Penal realiza rotinas contínuas de segurança, incluindo revistas estruturais minuciosas, periódicas e aleatórias em todas as celas e alas, além de rigoroso controle de acesso de visitantes.
A Secretaria reitera seu compromisso com a legalidade e a transparência, mantendo cooperação permanente com os demais órgãos de segurança e de inteligência no combate qualificado a organizações criminosas.”



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