Indicação de liderança indígena que já esteve junto à gestão anterior divide opiniões e levanta debate sobre renovação ou repetição nas políticas para povos originários
A nomeação de Ercivaldo Damsõkẽkwa Xerente como novo secretário dos Povos Originários e Tradicionais do Tocantins (Sepot), assinada pelo governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) e publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) na noite de sexta-feira (19/12), reacendeu uma polêmica nos bastidores da política tocantinense e entre lideranças indígenas e comunitárias.
Indígena do povo Akwẽ-Xerente, Ercivaldo possui uma trajetória marcada pela atuação na educação indígena e por uma sólida formação acadêmica. É graduado em Licenciatura em Educação Intercultural – Ciências da Cultura, mestre em Direitos Humanos e doutor em Antropologia Social pela Universidade Federal de Goiás (UFG). O doutorado foi concluído em 2024, com pesquisa voltada às pedagogias intraculturais e aos processos próprios de aprendizagem do povo Akwẽ.
Ao longo da carreira, atuou como professor efetivo da rede estadual, diretor e coordenador pedagógico de escolas indígenas, além de técnico e gerente de Educação Indígena da Secretaria Estadual da Educação. Também exerceu funções de liderança comunitária, tendo sido cacique local e presidente de cooperativa indígena. Sua atuação inclui ainda participação em congressos nacionais e internacionais, além de premiações pelo reconhecimento de sua contribuição acadêmica e social.
Apesar do currículo robusto, o que chama atenção e gera controvérsia é o fato de que a mesma liderança que agora assume a Sepot já esteve no mesmo grupo que comendou a pasta durante o governo de Laurez Moreira. Naquele período, o grupo político ao qual Ercivaldo está ligado ocupou cargos estratégicos e influenciou diretamente a formulação e a execução de políticas públicas voltadas aos povos indígenas, comunidades tradicionais e segmentos originários.

Durante a gestão passada, essas lideranças tiveram papel central na condução de programas, projetos e articulações institucionais, mantendo diálogo com movimentos sociais, lideranças comunitárias e órgãos governamentais. Agora, retornam ao comando da secretaria em um novo governo, em meio a um cenário marcado por demandas renovadas, cobranças por resultados concretos e expectativas de mudanças por parte das comunidades atendidas pela pasta.
A movimentação política reacende o debate sobre a necessidade de renovação ou continuidade na política estadual voltada aos povos originários e tradicionais. Para alguns setores, a experiência acumulada pode favorecer a retomada de ações estruturantes e garantir maior capacidade técnica na gestão. Para outros, a repetição dos mesmos nomes levanta questionamentos sobre a abertura de espaço para novas lideranças, ideias e perspectivas dentro da administração pública estadual.
Em meio à polêmica, a nomeação expõe um dilema recorrente na política tocantinense: apostar na experiência de quadros já conhecidos ou promover uma renovação efetiva na condução das políticas públicas para povos originários e tradicionais. O desdobramento dessa escolha deve ser acompanhado de perto pelas comunidades, pelos movimentos sociais e pela sociedade em geral.




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