quinta-feira , 15 outubro 2026
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Advogado e ex-secretário Thomas Jefferson é apontado como peça-chave em vazamento que teria alertado Wanderlei Barbosa sobre operação da PF

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Advogado e ex-secretário Thomas Jefferson é apontado como peça-chave em vazamento que teria alertado Wanderlei Barbosa sobre operação da PF
Imagens anexadas ao processo pela Polícia Federal | Foto: Reprodução

Investigações da Operação Nêmesis indicam que o ex-secretário visitou a casa do governador horas antes do cumprimento dos mandados da Fames-19; STJ vê “fortes indícios” de obstrução das investigações.

Na manhã desta quarta-feira (12), a Polícia Federal cumpriu 24 mandados de busca e apreensão em Palmas e Santa Tereza do Tocantins, como parte da Operação Nêmesis, nova fase das investigações que apuram supostas tentativas de obstrução da Operação Fames-19 — ação que investiga o desvio de recursos públicos durante a pandemia de Covid-19.

Segundo decisão do ministro Mauro Campbell Marques, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o advogado Thomas Jefferson Gonçalves Teixeira, ex-secretário de Parcerias e Investimentos do Tocantins, aparece como peça central no vazamento que teria alertado o governador afastado Wanderlei Barbosa (Republicanos) sobre o cumprimento dos mandados da Fames-19, deflagrada em setembro de 2025.

Visita antes da operação

De acordo com o documento judicial, Thomas Jefferson — que é sócio de Rérison Antônio Castro Leite, filho do governador — teria visitado a residência de Wanderlei e da primeira-dama Karynne Sotero Campos, em Palmas, às 23h07 do dia 2 de setembro, poucas horas antes do início da operação.

Imagens de câmeras de segurança registraram o advogado chegando ao local e permanecendo por cerca de sete minutos, tempo que, segundo a PF, seria “suficiente para transmitir uma mensagem presencial”.

Logo após a saída do advogado, as gravações mostram Wanderlei, Karynne e a filha deixando a casa às pressas. Minutos depois, o celular do governador foi rastreado a caminho da Fazenda Santa Helena, onde ele acabou sendo localizado pelos agentes federais.

Rede de confiança e laços profissionais

A PF também aponta que Thomas Jefferson teria visitado, na mesma madrugada, o condomínio onde mora Leo Barbosa (Republicanos), outro filho do governador, e posteriormente se encontrado com Rérison. Para os investigadores, essas visitas reforçam a suspeita de que o advogado atuava como “mensageiro” de um vazamento sobre a operação.

Além das ligações familiares, Thomas Jefferson é citado como sócio do escritório Castro & Gonçalves Advogados Associados (CNPJ 28.132.290/0001-46), do qual Rérison também faz parte. O documento da PF descreve o grupo como um “núcleo de confiança” usado para coordenar reações e estratégias após o início das investigações.

O relatório detalha ainda que, após a visita do advogado, houve “fuga organizada” do casal e movimentações suspeitas de malas e caixas em imóveis ligados à família Barbosa — inclusive na casa da sogra do governador, Joana Darc Sotero Campos, também alvo de mandados nesta fase.

Vínculos financeiros

Outro ponto destacado pela decisão do STJ é o vínculo comercial entre Thomas Jefferson e Karynne Sotero Campos. Segundo a PF, o advogado se tornou proprietário da franquia de chocolates Lugano em Palmas, comprada diretamente da primeira-dama, o que reforçaria a relação de confiança e proximidade financeira entre as partes.

Contexto e desdobramentos

A decisão assinada pelo ministro Mauro Campbell em 30 de outubro de 2025 afirma haver “fortes razões para crer” que Thomas Jefferson “levou mensagem presencial que determinou a intensa movimentação observada às vésperas do cumprimento das decisões judiciais”.

A Operação Fames-19 investiga supostos desvios de mais de R$ 70 milhões em recursos públicos destinados à compra de cestas básicas durante a pandemia, em contratos com secretarias estaduais e institutos sociais entre 2020 e 2021. Esta é a terceira fase da ofensiva, que já mira familiares, assessores e parlamentares ligados ao governo afastado.

Defesa

Em nota anterior, a defesa de Wanderlei Barbosa negou qualquer irregularidade, afirmando que “não houve vazamento” e que “todas as ações da família foram legítimas”.
Até o momento, Thomas Jefferson não se manifestou publicamente sobre o caso.

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