Relatório da Polícia Federal indica que imóvel em Palmas foi usado para ocultar malas, caixas e mochilas após o governador afastado Wanderlei Barbosa e a primeira-dama tomarem conhecimento prévio de operação judicial.
A Polícia Federal afirmou que a casa de Joana Darc Sotero Campos, mãe da primeira-dama Karynne Sotero, teria sido utilizada para ocultar bens, documentos e valores após o casal Wanderlei Barbosa e Karynne tomar conhecimento prévio de uma operação judicial. As informações constam no Pedido de Busca e Apreensão Criminal nº 95/DF (PBAC 95/DF), autorizado pelo ministro Mauro Campbell Marques, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em 30 de outubro.
A residência, localizada na Quadra 603 Sul, em Palmas, foi um dos alvos da Operação Nêmesis, deflagrada nesta quarta-feira (12), que investiga o governador afastado por suspeita de embaraçar as investigações da Operação Fames-19 — ação anterior que apura desvios de recursos destinados à compra de cestas básicas durante a pandemia.
Ocultação de provas e movimentação suspeita
De acordo com o relatório, o imóvel teria servido de ponto de apoio para o transporte e armazenamento de malas, mochilas e caixas retiradas de imóveis ligados ao casal. A movimentação foi registrada no dia 3 de setembro de 2025, data em que a PF cumpria mandados da segunda fase da Operação Fames-19, que investiga desvio de mais de R$ 70 milhões em verbas públicas.
Os agentes relataram que uma denúncia anônima, recebida durante o cumprimento das buscas, indicava veículos oficiais descarregando volumes na residência da mãe da primeira-dama. “Foi observada intensa movimentação de caixas, malas e mochilas sendo removidas da referida residência, bem como do interior dos veículos que estavam estacionados nas proximidades”, descreve o documento.
A investigação aponta ainda que o governador afastado Wanderlei Barbosa foi visto no local dentro de uma caminhonete, orientando o transporte dos objetos. Segundo a PF, a casa da mãe de Karynne “concorria materialmente para os atos de embaraço à investigação”, servindo como abrigo temporário de materiais retirados de outras residências.
Evasão e destruição de provas
O relatório detalha que Wanderlei e Karynne deixaram a residência oficial às pressas, às 23h37 do dia 2 de setembro, após uma visita do advogado Thomas Jefferson Gonçalves Teixeira, ex-secretário da Tocantins Parcerias, suspeito de vazar informações sobre a operação.
Na manhã seguinte, os agentes encontraram um cofre aberto e vazio, um celular resetado e R$ 52 mil escondidos em um armário. As evidências, segundo a PF, demonstram “tentativa deliberada de eliminar ou ocultar provas”.
Filhas também são citadas
O documento cita ainda as filhas de Karynne Sotero, Yasmin Sotero Lustosa e uma menor de idade, como participantes da operação de ocultação. Ysabela teria avisado a mãe sobre a chegada do advogado que alertou sobre a ação, enquanto Yasmin foi vista em frente à casa da avó durante o esvaziamento do imóvel.
A PF afirma que ambas “tinham plena ciência dos atos perpetrados pelo padrasto e pela genitora”, atuando na logística da fuga e na ocultação dos bens.
O que dizem os citados
Wanderlei Barbosa
“O governador Wanderlei Barbosa recebeu com estranheza mais uma operação da Polícia Federal, ao mesmo tempo em que aumenta a expectativa pelo julgamento do Habeas Corpus que pode devolvê-lo ao cargo. Ele reitera sua disponibilidade para colaborar com as investigações e mantém sua confiança na Justiça e nas instituições.”
Karynne Sotero
“A primeira-dama Karynne Sotero repele as acusações infundadas de tentativa de embaraço às investigações, feitas de forma anônima à Justiça. Lamenta ainda a tentativa de intimidação contra seus familiares, inclusive sua mãe, uma senhora de mais de 75 anos que acabou passando mal e precisou ser hospitalizada. Por fim, reitera sua inteira disposição para colaborar com a Justiça.”




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