sábado , 6 junho 2026
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Prefeitura doa R$ 80 mil em aparelhos de ar-condicionado para igreja e vira alvo do MPTO

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Prefeitura doa R$ 80 mil em aparelhos de ar-condicionado para igreja e vira alvo do MPTO
Foto: Divulgação

O Ministério Público do Tocantins (MPTO), por meio da Promotoria de Justiça de Araguaçu, instaurou nesta quarta-feira, 16, uma notícia de fato para apurar a legalidade da Lei Municipal nº 738/2025, que autorizou a doação de aparelhos de ar-condicionado no valor de R$ 80 mil à Igreja Católica Paróquia Nossa Senhora Imaculada Conceição, com recursos oriundos do Município de Araguaçu.

A medida levanta questionamentos sobre uma possível afronta aos princípios constitucionais que regem a administração pública, como a laicidade do Estado, a impessoalidade, a legalidade e a moralidade administrativa.

Primeiras diligências

Como parte das diligências iniciais, o MPTO expediu ofícios ao Poder Executivo e ao Legislativo Municipal solicitando, no prazo de dez dias, informações sobre a tramitação da norma, os fundamentos que justificaram sua aprovação, além de documentos que comprovem eventuais processos licitatórios ou administrativos relacionados à aquisição e doação dos equipamentos.

Segundo o promotor de Justiça Jorge José Maria Neto, responsável pelo procedimento, a instauração da notícia de fato é uma etapa preliminar de apuração que busca esclarecer se houve irregularidade na destinação dos recursos públicos.

“Os entes públicos deverão apresentar a motivação de interesse público que embasou a doação dos bens, para que possamos avaliar a conformidade da medida com as disposições da Constituição”, explicou o promotor.

Princípios constitucionais em análise

O caso chama atenção por envolver valores expressivos e possíveis implicações com o princípio da laicidade do Estado, que veda o favorecimento ou o financiamento direto de instituições religiosas com recursos públicos, salvo em situações excepcionais de interesse coletivo ou social justificado.

O MPTO ressaltou que a destinação de bens públicos a instituições privadas de natureza religiosa deve ser cuidadosamente examinada à luz da Constituição Federal, para garantir que não haja desvio de finalidade, favorecimento indevido ou violação da separação entre Estado e religião.

A depender do resultado da apuração, o caso poderá resultar na abertura de inquérito civil público ou no ajuizamento de ação judicial, caso sejam constatadas irregularidades.

O Ministério Público reforça seu compromisso com a fiscalização do uso adequado dos recursos públicos e com a defesa dos princípios que norteiam a administração pública, atuando de forma independente para garantir o cumprimento da legalidade e o respeito aos direitos fundamentais.

O Portal Eu Amo Lagoa reafirma seu compromisso com a transparência e o direito à ampla defesa. Qualquer manifestação por parte da defesa do réu será publicada integralmente, no mesmo espaço e formato, mediante envio ao e-mail: [email protected].

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