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María Corina Machado pede posse imediata de Edmundo González após captura de Maduro: “Chegou a hora da liberdade”

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María Corina Machado pede posse imediata de Edmundo González após captura de Maduro: “Chegou a hora da liberdade”
María Corina Machado, opositora do regime de Nicolás Maduro e vencedora do Nobel da Paz 2025, fala em coletiva de imprensa em Oslo, na Noruega, em 11 de dezembro de 2025. — Foto: REUTERS/Leonhard Foeger

Líder da oposição venezuelana afirma que resultado das eleições de 2024 deve prevalecer e convoca Forças Armadas a reconhecerem novo presidente em meio à crise política no país

A líder oposicionista venezuelana María Corina Machado pediu neste sábado (3) que o oposicionista Edmundo González Urrutia assuma imediatamente a Presidência da Venezuela, após a captura de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos. Esta foi a primeira manifestação pública de Machado desde a ofensiva americana que resultou na retirada de Maduro do país.

Em comunicado, Machado — vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025 — afirmou que a oposição está pronta para exercer o poder e fazer valer o que chama de mandato popular conferido nas eleições de 2024. Segundo ela, chegou o momento de iniciar uma nova etapa na história do país. “Chegou a hora da liberdade”, declarou.

“Esta é a hora dos cidadãos que elegeram Edmundo González Urrutia como legítimo presidente da Venezuela. Ele deve assumir de forma imediata seu mandato constitucional e ser reconhecido como Comandante-chefe das Forças Armadas por todos os oficiais e soldados”, afirmou Machado.

Disputa eleitoral e contestação internacional

Edmundo González concorreu às eleições presidenciais de 2024 no lugar de María Corina Machado, que foi impedida de disputar o pleito por decisão da Justiça venezuelana. Após a votação, Maduro declarou vitória, mas a oposição afirmou ter acesso às atas eleitorais que indicariam a vitória de González.

O governo venezuelano e o tribunal eleitoral, aliados de Maduro, nunca apresentaram as atas oficiais, e o resultado proclamado não foi reconhecido por parte significativa da comunidade internacional, aprofundando a crise política e diplomática no país.

Atualmente exilado na Espanha, Edmundo González também se pronunciou pelas redes sociais, afirmando estar pronto para liderar um novo ciclo. “Venezuelanos, são horas decisivas. Estamos prontos para a grande operação de reconstrução de nossa nação”, escreveu.

Incertezas sobre o futuro do governo

Apesar do apelo da oposição, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou mais cedo que ainda está decidindo sobre o futuro da Venezuela. Em entrevista à Fox News, Trump disse que Nicolás Maduro e a esposa, Cilia Flores, estão a caminho de Nova York, transportados por um navio da Marinha americana posicionado no Caribe.

Questionado sobre a possibilidade de María Corina Machado assumir o poder, Trump respondeu que avalia diferentes cenários. “Ainda estou decidindo. Há também a vice-presidente, Delcy Rodríguez”, afirmou.

Trump declarou ainda que os EUA passarão a estar “fortemente envolvidos” com a indústria petrolífera venezuelana, sem detalhar como se dará essa participação, e disse ter assistido ao vivo à captura de Maduro. “Foi como ver um programa televisivo”, comentou.

Escalada de tensão e reação do governo venezuelano

A captura de Maduro ocorreu após ataques aéreos e explosões em Caracas, que deixaram parte da capital sem energia elétrica. O governo venezuelano afirmou que o país está sob ataque e decretou estado de Comoção Exterior, convocando forças civis e militares para a mobilização nacional.

A vice-presidente Delcy Rodríguez disse desconhecer o paradeiro de Maduro e exigiu prova de vida ao governo americano. Caracas acusa os Estados Unidos de tentarem impor uma mudança de regime para controlar recursos estratégicos, como petróleo e minerais.

Enquanto isso, a declaração de María Corina Machado intensifica a pressão por uma transição imediata de poder, abrindo um novo e delicado capítulo na crise venezuelana, marcada agora por incertezas institucionais, forte intervenção externa e disputas sobre a legitimidade do comando do país.

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