Informação foi divulgada após reunião ministerial de emergência coordenada pelo presidente Lula; Brasil acompanha situação e monitora fronteira e possível fluxo de refugiados
O governo federal confirmou neste sábado (3) que não há registro de brasileiros entre possíveis vítimas dos ataques realizados pelos Estados Unidos contra a Venezuela durante a madrugada. A informação foi divulgada pela ministra interina das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, após uma reunião ministerial de emergência convocada pelo Palácio do Planalto.
O encontro foi coordenado por videoconferência pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que cumpre período de férias no Rio de Janeiro, e reuniu representantes dos ministérios das Relações Exteriores, Defesa, Casa Civil, Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Secretaria de Relações Institucionais e Ministério da Justiça e Segurança Pública. Uma nova reunião foi agendada para o fim da tarde deste sábado, no Itamaraty.
Segundo Maria Laura da Rocha, o Brasil mantém contato permanente com autoridades venezuelanas e acompanha de forma contínua a situação interna do país vizinho, diante do agravamento do cenário político e militar após a ofensiva americana.
Fronteira monitorada e alerta para refugiados
No campo da segurança, o ministro da Defesa, José Múcio, afirmou que não há, até o momento, movimentação atípica na fronteira entre Brasil e Venezuela. De acordo com ele, o lado brasileiro segue com funcionamento regular. Já o governo venezuelano determinou o fechamento da passagem fronteiriça na manhã deste sábado.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública informou, em nota, que monitora o cenário e se prepara para um eventual aumento no fluxo de refugiados, caso a crise se intensifique.
Ataques e captura de Maduro
Os ataques ocorreram após meses de especulações e operações marítimas conduzidas pelos Estados Unidos nas proximidades da costa venezuelana. Durante a ofensiva, forças norte-americanas atingiram diferentes pontos de Caracas e capturaram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, segundo confirmação do governo dos EUA.
O presidente Lula se manifestou publicamente sobre o episódio e classificou a ação militar como uma violação da soberania venezuelana e do direito internacional. Em nota, afirmou que os bombardeios e a captura do chefe de Estado representam um precedente perigoso para a América Latina e para a comunidade internacional, defendendo que o caso seja tratado no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU). O presidente reiterou ainda a posição do Brasil em favor do diálogo e da cooperação.
Posição dos Estados Unidos
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump confirmou a captura de Nicolás Maduro e declarou que ainda avalia os próximos passos em relação à Venezuela. Em entrevista à rede Fox News, Trump afirmou que Maduro e a esposa estariam a caminho de Nova York, a bordo de um navio da Marinha norte-americana que opera no Caribe desde o fim de 2025.
Trump também declarou que os Estados Unidos passarão a ter envolvimento direto com a indústria petrolífera venezuelana, sem detalhar como ocorrerá essa participação, e afirmou que a China continuará recebendo petróleo do país sul-americano.
O governo brasileiro segue acompanhando os desdobramentos da crise e mantém atenção redobrada aos impactos humanitários, diplomáticos e de segurança na região.




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