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Jorge Frederico é investigado por suspeita de usar estrutura do Sine de Araguaína para fins políticos; deputado nega

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Jorge Frederico é investigado por suspeita de usar estrutura do Sine de Araguaína para fins políticos; deputado nega
Foto: Divulgação

O Ministério Público Eleitoral do Tocantins (MPE/TO) instaurou uma nova investigação para apurar suspeitas de uso político do Sine de Araguaína, órgão responsável pelo encaminhamento de trabalhadores a vagas de emprego. A portaria foi publicada nesta quarta-feira (8) no Diário Oficial do órgão.

De acordo com o documento, a 1ª Promotoria Eleitoral de Araguaína instaurou uma investigação preliminar após constatar indícios de crimes eleitorais e improbidade administrativa envolvendo servidores públicos e possíveis apoiadores do deputado estadual Jorge Frederico (Republicanos). O objetivo é reunir informações que possam confirmar ou afastar o uso da estrutura pública para fins políticos.

O caso começou em fevereiro de 2024, quando o Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu uma denúncia anônima sobre um suposto esquema de favorecimento dentro do Sine de Araguaína.

A denúncia apontava que vagas de emprego seriam direcionadas a pessoas previamente escolhidas, em troca de apoio político ou vantagens pessoais.

Durante o inquérito trabalhista, o MPT recebeu mais de 150 áudios e imagens que reforçariam os indícios de irregularidades. Em uma das gravações, uma servidora pede que seja “dada baixa” em uma vaga de recepcionista, informando que a pessoa indicada “já começou hoje de manhã”.

Outro trecho mostra a suspensão de uma vaga “que não foi encaminhada pelo Sine”, o que, segundo o MPT, pode indicar manipulação no sistema de cadastros.

Entre os nomes mencionados estão o ex-diretor do Sine, Leomar Barroso, e o deputado Jorge Frederico, que teria influência política sobre o órgão.

No período em que o caso veio à tona, Leomar disputou uma vaga de vereador, ficando como suplente, enquanto Jorge Frederico concorreu à Prefeitura de Araguaína, sem êxito.

Uma das testemunhas, identificada como Kátia, afirmou que uma pessoa ligada ao gabinete do parlamentar indicou que ela procurasse uma servidora do Sine, Viviane, para conseguir uma vaga de emprego.

A denúncia também menciona o uso de veículos, equipamentos e estrutura do Sine em atividades que poderiam estar relacionadas a campanhas eleitorais — fato que levou o caso ao Ministério Público Eleitoral (MPE/TO) e à Polícia Federal.

Com o avanço das investigações, o MPT encaminhou cópias do inquérito e dos áudios ao Ministério Público Federal e à Procuradoria Regional Eleitoral, recomendando análise nas esferas criminal e eleitoral.

Após revisão, a 14ª Promotoria de Justiça de Araguaína encaminhou o caso à 1ª Promotoria Eleitoral, responsável por delitos ligados a campanhas e eleições.

Agora, em outubro de 2025, o procedimento foi convertido em Procedimento Preparatório Eleitoral.

Assinada pelo promotor eleitoral da 1ª Zona, a portaria afirma que há “preponderância de indícios de delitos eleitorais e conexão com o uso da máquina pública para fins de campanha”.

O MP determinou que a Polícia Federal em Araguaína informe o andamento ou eventual instauração do Inquérito Policial nº 2243/2025, requisitado em julho deste ano.

Também foi solicitada cópia integral das peças do inquérito trabalhista, com prazo de 90 dias para conclusão das diligências iniciais. O Conselho Superior do Ministério Público será formalmente comunicado sobre o novo procedimento.

Linha do tempo do caso

  • Fev/2024: Denúncia anônima aponta suposto favorecimento de vagas no Sine.

  • Mar/2024: MPT abre investigação e analisa áudios e documentos.

  • 2º semestre/2024: Indícios de uso político levam o caso à esfera eleitoral.

  • Início/2025: MPE e PF passam a atuar nas apurações.

  • Out/2025: MP Eleitoral formaliza nova investigação.

Em nota, o deputado Jorge Frederico afirmou que não foi notificado sobre a investigação e que “não compactua com condutas ilícitas”, reiterando que atua com transparência e respeito às instituições.

A reportagem também entrou em contato com Leomar Barroso e com a Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (Setas), mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.

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