Enquanto o cenário político de Palmas vive momentos turbulentos com o afastamento do prefeito Eduardo Siqueira Campos (Podemos) e a posse interina de Carlos Velozo (Agir), uma força menos visível, mas altamente articulada, tem se consolidado nos bastidores: o Grupo Monte Sião. Com sede em Porto Nacional, o conglomerado agropecuário se projeta além do setor rural e já ocupa cargos estratégicos na Prefeitura da capital.
Reconhecido nacionalmente por sua excelência em genética bovina e equina, o Monte Sião não é apenas um império rural moderno. A holding também atua em áreas como seguros, vestuário e biotecnologia reprodutiva, mas é sua crescente atuação política que tem chamado atenção. A entrada definitiva do grupo no núcleo da gestão pública palmense marca um novo capítulo na política local, com impactos em articulações regionais e nacionais.
À frente da estrutura está a advogada Dalide Barbosa Alves Corrêa, nome de destaque no meio jurídico de Brasília. Com passagens por instituições como Caixa Econômica Federal, ANAC e STF, Dalide também integrou a chapa ao Senado por Goiás em 2022, com patrimônio declarado de R$ 88,5 milhões. No Tocantins, sua influência cresce de forma estruturada e silenciosa, por meio de alianças com figuras-chave da política e da religião.
Entre os sócios da Agropecuária Monte Sião Ltda estão ainda Vilma Magalhães e o empresário Leandro Luiz, este último apontado como operador dos bastidores do grupo. Com animais avaliados em mais de R$ 20 milhões e tecnologia de ponta no campo, o Monte Sião já movimenta cifras milionárias em leilões e negociações de genética de elite.
O braço político do grupo ganhou força com a recente crise na Prefeitura de Palmas. A gestão interina de Carlos Velozo incorporou diretamente figuras ligadas ao Monte Sião: Priscila Alencar Veríssimo, sócia de Dalide, assumiu a Procuradoria-Geral do Município; Jandir Vasconcelos, ligado ao deputado federal Filipe Martins (PL), assumiu a Secretaria da Habitação; e Fábio Bernardino, vice-presidente nacional do Agir, foi nomeado para a Secretaria de Representação em Brasília.
Essa configuração reflete alianças estratégicas com o segmento evangélico, em especial com o pastor Amarildo Martins, presidente da CONEMAD-TO/MA e pai do deputado Filipe Martins. A aproximação com a bancada ruralista e com setores religiosos garante ao Monte Sião um tripé de sustentação: econômico, político e ideológico.
Apesar de manter distância dos holofotes, o grupo fortalece sua presença institucional e articula um possível projeto eleitoral para 2026. Dalide Barbosa já é mencionada como nome potencial para uma candidatura majoritária, seja ao Senado ou como suplente. Com capital político em crescimento, o Monte Sião avança com estratégia e discrição, ocupando espaços e projetando uma nova força no cenário tocantinense.
Do campo à capital, o grupo mostra que não é apenas um player do agronegócio: é também um novo e influente ator na política do Tocantins.




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