A Polícia Federal identificou indícios de que recursos provenientes de emendas parlamentares da Câmara Municipal de Palmas podem ter sido utilizados em um esquema de desvio de verbas públicas. O caso integra o inquérito que levou ao afastamento do governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos), e da primeira-dama, Karynne Sotero, por decisão do ministro Mauro Campbell Marques, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), posteriormente referendada pela Corte Especial.
Conversas revelam manipulação de listas
Trechos do pedido de busca e apreensão revelam diálogos em que aliados do grupo investigado — entre eles Paulo Cesar Lustosa, ex-marido da primeira-dama — discutem listas com nomes e CPFs para “completar” prestações de contas de cestas básicas que, segundo a PF, jamais foram entregues.
Em uma das conversas, interlocutores relatam que parte desses nomes teria sido providenciada por contatos ligados à Câmara de Palmas, utilizando como justificativa recursos de emendas parlamentares municipais.
Simulação de entregas
Segundo o relatório, a dinâmica do esquema era organizada: primeiro ocorria o pagamento antecipado às entidades contratadas, e só depois buscava-se simular a entrega das cestas. Em alguns casos, kits teriam sido tomados de empréstimo apenas para registros fotográficos, compondo um cenário fictício de distribuição.
As listas de CPFs eram utilizadas como lastro documental para validar prestações de contas. Para os investigadores, isso demonstra um modelo de fraude já estruturado, com etapas definidas de execução e encobrimento.
Falta de transparência e inconsistências
O relatório da PF também aponta falhas graves na transparência dos contratos. No sistema do Tribunal de Contas do Estado (TCE/TO) não foram localizados os termos de execução que deveriam estar registrados.
Já no Portal da Transparência do Tocantins, os investigadores encontraram indícios de pagamentos irregulares: em dezembro de 2021, o Instituto de Desenvolvimento e Gestão Social, Esportivo e Cultura (IDEGESESC) recebeu R$ 256 mil, mas as fotos de supostas entregas e a prestação de contas só surgiram em fevereiro de 2022. O instituto é apontado como ligado diretamente à primeira-dama.
Alcance do esquema
A menção a nomes ligados ao legislativo municipal reforça, segundo a PF, a hipótese de que o esquema extrapolava a esfera estadual e também alcançava a política local.
Para os investigadores, essa conexão amplia o alcance da investigação, que passa a apurar não apenas a gestão estadual, mas também a forma como recursos de emendas da Câmara de Palmas podem ter sido usados para encobrir fraudes em programas sociais.




Deixe um comentário