Mensagens mostram que Paulo César Lustosa usava proximidade com Karynne Sotero e o governador afastado Wanderlei Barbosa para intermediar contratos; prejuízo estimado ultrapassa R$ 73 milhões
A Polícia Federal (PF) aponta que Paulo César Lustosa, ex-marido da primeira-dama afastada do Tocantins, Karynne Sotero, atuava como lobista dentro do governo de Wanderlei Barbosa (Republicanos). Segundo a investigação, ele se aproveitava da proximidade com a ex-esposa e com o governador para intermediar contratos fraudulentos, direcionar licitações e cobrar liberações de pagamentos.
As revelações constam na decisão do ministro Mauro Campbell, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que determinou o afastamento de Wanderlei Barbosa e Karynne Sotero por 180 dias durante a segunda fase da Operação Fames-19.
Conversas e repasses milionários
Mensagens obtidas no celular do lobista indicam que ele atuava diretamente junto ao governador. Em um dos diálogos, em outubro de 2022, Paulo César pediu que Wanderlei interferisse na liberação de pagamento de R$ 3 milhões referentes a livros paradidáticos. Dias depois, o contrato foi pago.
A PF descobriu ainda que, entre julho de 2020 e julho de 2022, Paulo César recebeu mais de R$ 1,3 milhão de empresas investigadas, realizando saques que somaram R$ 665 mil — valores que teriam sido usados para lavagem de dinheiro.
Segundo o STJ, o ex-marido da primeira-dama também intermediou contratos da área da educação em 2024, relatando dificuldades em negociações por conta do “alto retorno” exigido.
Operação Fames-19
A investigação apura fraudes e desvios em contratos de cestas básicas e frangos congelados durante a pandemia de Covid-19. O prejuízo estimado aos cofres públicos é de mais de R$ 73 milhões, em um total de R$ 97 milhões pagos a empresas investigadas.
A PF aponta que parte dos valores desviados foi ocultada em empreendimentos de luxo, compra de gado e despesas pessoais dos envolvidos.
Notas oficiais
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Wanderlei Barbosa afirmou que respeita a decisão do STJ, mas a considera precipitada, alegando que os contratos ocorreram em gestão anterior, quando era vice-governador e não ordenador de despesas.
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Karynne Sotero declarou que vai provar sua “total ausência de participação” nos fatos investigados.
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A Seduc informou que o contrato de livros foi regular, com entrega comprovada e trâmite nos órgãos de controle.
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Mauro Carlesse (Agir), governador à época dos contratos, disse que não teve participação e que não é investigado no processo.
A Operação Fames-19 mobilizou mais de 200 policiais federais, cumprindo 51 mandados de busca e apreensão em quatro estados e no Distrito Federal.




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