O governador afastado do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos), decidiu concentrar esforços na Assembleia Legislativa como sua principal trincheira política após ser afastado do cargo por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) na segunda fase da Operação Fames-19. A Casa Legislativa é comandada pelo aliado Amélio Cayres (Republicanos) e reúne uma base sólida de apoio, incluindo o filho do governador, Léo Barbosa (Republicanos), além de deputados próximos, como Ivory de Lira (PCdoB) e Cláudia Lelis (PV).
A estratégia do grupo é construir uma narrativa de perseguição política, reforçando o apelo popular em defesa do governador. A tática se assemelha ao caso do atual prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos (Podemos), que foi afastado e preso por decisão do STF, mas retornou ao cargo em apenas 20 dias, fortalecido pelo sentimento de injustiça. No caso de Wanderlei, porém, aliados ensaiam criar o ambiente de solidariedade política de forma planejada.
A expectativa é que deputados governistas busquem desviar o foco de discussões sobre impeachment e consolidar a linha de defesa de Wanderlei, reforçando a tese de perseguição para preservar sua popularidade enquanto se busca espaço político e jurídico para reverter o afastamento.
A situação se complica pelo fato de que boa parte da base de apoio do governador também foi alvo da operação. Amélio Cayres, Léo Barbosa e outros aliados tiveram celulares e documentos apreendidos pela Polícia Federal. Esse cenário tende a reforçar a defesa em bloco, já que a sobrevivência política do grupo está em jogo, especialmente com vistas às eleições de 2026.
O campo político na Assembleia, portanto, será decisivo para a manutenção da influência de Wanderlei Barbosa no cenário estadual, transformando a Casa em ponto central da resistência do governador afastado.




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