Ação afastou o governador Wanderlei Barbosa, a primeira-dama Karine Sotero e mira suposto esquema de desvio de recursos destinados a cestas básicas durante a pandemia.

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (3), uma nova fase da Operação Fames-19, que resultou no afastamento do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) por 180 dias. Durante o cumprimento de 51 mandados de busca e apreensão em Palmas, Araguaína, Distrito Federal, Paraíba e Maranhão, os agentes encontraram cerca de R$ 700 mil em espécie em um dos endereços ligados à atual secretária do Trabalho e Desenvolvimento Social, Valderez Castelo Branco, em Araguaína.
Além do governador, também foi afastada de suas funções a primeira-dama Karine Sotero Campos, secretária extraordinária de Participações Sociais. Com a decisão, o cargo de chefe do Executivo estadual passa a ser ocupado interinamente pelo vice-governador, Laurez Moreira (PSD).
Envolvimento de Valderez Castelo Branco
Ex-deputada estadual entre 2014 e 2022, Valderez aparece em uma planilha de supostos pagamentos de propina, segundo as investigações. O nome dela está vinculado a contratos analisados pela PF, que indicam o repasse de emendas parlamentares em troca de vantagens indevidas.
No governo de Wanderlei Barbosa, Valderez já ocupou cargos de destaque: foi secretária extraordinária de Participações Sociais e Políticas de Governo em 2023 e, posteriormente, secretária extraordinária de Ações Governamentais. Em agosto de 2025, assumiu a Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Social (Setas).
O suposto esquema de desvio
De acordo com a PF, as irregularidades ocorreram entre 2020 e 2021, durante a pandemia, quando o Estado contratou empresas para fornecimento de cestas básicas e frangos congelados em caráter emergencial. O valor total dos contratos chegou a R$ 97 milhões, com um prejuízo estimado de R$ 73 milhões aos cofres públicos.
Segundo as investigações, os recursos desviados teriam sido ocultados em imóveis de luxo, compra de gado e despesas pessoais dos envolvidos. Dez deputados estaduais também foram citados no inquérito.
Notas oficiais
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Governador Wanderlei Barbosa disse que respeita as instituições, mas classificou o afastamento como uma “medida precipitada” e afirmou que vai provar sua inocência.
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Primeira-dama Karine Sotero declarou confiar na Justiça e reiterou que não tem participação nos fatos investigados.
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Ex-governador Mauro Carlesse (Agir), que estava à frente do Estado no período em que os contratos foram firmados, afirmou não ter qualquer relação com os atos apurados e não figura como investigado.
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Assembleia Legislativa (Aleto) informou que colaborou integralmente com a PF e o STJ no cumprimento dos mandados, reforçando que não foi intimada sobre decisões judiciais do caso.
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Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (Setas) declarou estar colaborando com as investigações e prestando informações aos órgãos de controle.
A nova fase da Operação Fames-19 tem como objetivo aprofundar as apurações sobre o suposto esquema de desvio de recursos destinados à assistência social no período da pandemia. As investigações tramitam sob sigilo no Superior Tribunal de Justiça (STJ).




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