O debate sobre pedofilia e exploração infantil na internet ganhou força nos últimos dias após a denúncia feita pelo influenciador digital Felca. Na última quinta-feira (7), ele publicou em seu canal no YouTube o vídeo Adultização, que já ultrapassou 30 milhões de visualizações e expôs casos de influenciadores que exploram a imagem de crianças e adolescentes para atrair público.
Com mais de 50 minutos de duração, o conteúdo reúne denúncias, exemplos práticos de como algoritmos podem ser condicionados para entregar esse tipo de material a pedófilos e entrevistas com especialistas, como uma psicóloga que falou sobre os riscos da exposição precoce de menores nas redes sociais. Felca destacou o caso do influenciador Hytalo Santos e apresentou o termo “algoritmo P” para explicar o funcionamento dessa dinâmica.
“Eu realmente mergulhei no lamaçal. Foi muito aversivo fazer esse vídeo”, disse Felca, revelando que, desde a publicação, passou a circular com veículo blindado e seguranças por conta de possíveis ameaças.
O impacto foi imediato. Nas redes sociais, o tema viralizou entre usuários, famosos e organizações, e chegou ao Congresso Nacional. Somente até a noite desta segunda-feira (12), 13 projetos de lei haviam sido protocolados na Câmara dos Deputados sobre adultização e combate à pornografia infantil online. Entre eles, o PL 3852, apelidado de “Lei Felca”, propõe mecanismos para combater conteúdos de exploração sexual infantil no ambiente digital e regular o uso de redes sociais e jogos online por crianças e adolescentes.
A proposta, de autoria do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) e já aprovada no Senado em dezembro, é relatada pelo deputado Jadyel Alencar (Republicanos-PI) e recebeu sinal verde do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para ser pautada. Organizações como o Instituto Alana apoiam a medida.
A discussão expõe a urgência de reforçar a aplicação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que garante a proteção integral de menores e proíbe qualquer forma de exploração. Para especialistas, a denúncia de Felca abriu uma oportunidade rara de mobilizar sociedade, autoridades e legisladores em torno de um problema que, embora amplamente presente no mundo digital, ainda recebe pouca atenção das plataformas e do poder público.
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