O grupo político liderado pelo deputado federal Vicentinho Júnior (PP) oficializou nesta quarta-feira (2) seu desligamento da gestão municipal de Palmas, em resposta às mudanças promovidas pelo prefeito interino Carlos Velozo (Agir). A decisão escancara a crise interna no Paço e marca um racha entre aliados do titular Eduardo Siqueira Campos (Podemos) e a nova configuração da administração da capital.
Dois nomes estratégicos do grupo de Vicentinho deixaram cargos de alto escalão: Marlei Ribeiro Rodrigues, ex-secretária de Habitação, e André Luís Nunes Cavalari, que presidia a Fundação Escola de Saúde Pública de Palmas (Fesp). Também deixou o governo o ex-senador Vicentinho Alves, pai do deputado, que ocupava a Secretaria de Representação da Prefeitura em Brasília.
Lealdade a Eduardo
Vicentinho Júnior reiterou fidelidade ao prefeito afastado:
“Trabalhei para o Eduardo, foi para ele que pedi votos. Não estou gostando do que estou vendo. Vamos esperar meu prefeito voltar e nos reapresentaremos.”
O ex-secretário Marlei também seguiu a linha:
“Sou de grupo. Então, não me sinto à vontade de estar num lugar onde o prefeito que foi eleito de forma democrática não esteja.”
André Cavalari, por sua vez, entregou o cargo com uma carta em que agradece e reafirma compromisso com Eduardo Siqueira Campos.
Crise e ruptura no Paço
A debandada acontece após Velozo, em menos de 24 horas, exonerar o chefe de gabinete Carlos Júnior e o procurador-geral Renato Oliveira — dois dos nomes mais próximos de Eduardo — e nomear aliados do Agir, oriundos de Brasília. As decisões surpreenderam a base e foram vistas como rompimento com o grupo original da gestão.
Velozo teria alegado, em reunião com secretários, que manteria a equipe. Contudo, as mudanças publicadas no Diário Oficial da última terça-feira (1º) causaram descontentamento até entre aliados moderados.
Influência religiosa e disputa de poder
Nos bastidores, interlocutores da Prefeitura apontam influência direta de pastores ligados ao Grupo Monte Sião e ao agronegócio nas decisões do prefeito interino. O nome do pastor Amarildo vem sendo citado como figura-chave nas articulações do Agir.
Velozo alega ter recebido “carta branca” de Eduardo durante visita ao presídio, mas aliados próximos do prefeito afastado negam que mudanças estruturais tenham sido autorizadas. O episódio ampliou o desgaste político e expôs a fragilidade da coalizão que venceu as eleições.
A crise segue em curso, com o grupo de Eduardo aguardando seu retorno para eventual retomada das funções e reestruturação da gestão.




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