A senadora Professora Dorinha Seabra (União Brasil), pré-candidata ao governo do Tocantins, se pronunciou nesta sexta-feira (27) sobre a prisão do prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos (Podemos), durante a nova fase da Operação Sisamnes, deflagrada pela Polícia Federal. Em nota pública, Dorinha expressou preocupação com o uso de “medidas extremas” e defendeu o respeito à presunção de inocência, reforçando a necessidade de equilíbrio e responsabilidade entre os Poderes.
“A Constituição garante que todo cidadão é inocente até o trânsito em julgado. Prisões cautelares devem ser adotadas com prudência, com base em critérios técnicos e não por pressões políticas ou midiáticas”, afirmou a senadora.
A prisão de Eduardo foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, no âmbito de investigações que apuram o suposto vazamento de informações sigilosas do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Além do prefeito, também foram detidos um advogado e um policial civil. As investigações indicam a existência de uma rede de influência formada por agentes públicos e operadores do direito que teriam acesso privilegiado a dados confidenciais de inquéritos, com o objetivo de proteger aliados e interferir em decisões judiciais.
Cautela e respeito ao devido processo legal
Em seu comunicado, Dorinha evitou entrar no mérito das acusações, mas cobrou coerência na aplicação da Justiça. Ela lembrou que o ministro Cristiano Zanin, quando atuava como advogado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, se posicionou publicamente contra o uso excessivo de prisões preventivas.
“Esse entendimento, construído na defesa de garantias constitucionais, deve ser observado em todos os casos, independentemente de quem seja o investigado”, pontuou Dorinha.
A senadora também alertou para o risco de instabilidade institucional em um momento em que o Tocantins precisa de segurança jurídica e confiança nas instituições:
“O momento exige serenidade. O Tocantins precisa de estabilidade, responsabilidade pública e respeito mútuo entre os Poderes.”
Clima político em alerta
A repercussão da prisão de Eduardo Siqueira Campos sacudiu os bastidores políticos tocantinenses. Filho do ex-governador Siqueira Campos, o atual prefeito de Palmas é uma das figuras mais influentes da política regional e vinha sendo cotado para disputar cargos nas eleições de 2026.
A nota de Dorinha ecoa a preocupação de outras lideranças. Ainda na manhã desta sexta, o deputado federal Vicentinho Júnior (PL) também se posicionou, classificando a prisão como “desproporcional” e cobrando equilíbrio do Judiciário:
“Não se pode permitir que o combate à corrupção seja instrumentalizado para fins de perseguição política.”
A Operação Sisamnes
A Operação Sisamnes, em sua décima fase, investiga o vazamento de informações de investigações sigilosas e uma suposta estrutura de proteção a investigados de alto escalão. As ações envolvem apurações em diversos estados, incluindo Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal.
Segundo a PF, em conversas interceptadas, o prefeito Eduardo teria mencionado ter sido alertado previamente sobre operações da Polícia Federal por meio de um ministro do STJ, o que levanta suspeitas sobre a quebra de sigilo processual. A defesa do prefeito nega qualquer irregularidade.
O inquérito, conduzido pelo ministro Cristiano Zanin, foi prorrogado por mais 60 dias a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Com os desdobramentos da operação ainda em curso e lideranças políticas tomando posições, o caso deve permanecer no centro do debate institucional nos próximos dias, com impactos diretos no cenário político do Tocantins rumo a 2026.

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