Uma troca de ironias entre os deputados estaduais Júnior Geo (PSDB) e Valdemar Júnior (Republicanos) durante a sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da última quarta-feira (25) acendeu, de forma inusitada, os holofotes sobre as movimentações para as eleições de 2026. O foco da discussão: a possível renúncia do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) para disputar uma vaga no Senado.
O estopim do embate foi a crítica feita por Júnior Geo à velocidade com que projetos de interesse do Executivo tramitam na Assembleia Legislativa, como o que trata da venda das ações do Estado na Energisa. Em tom provocativo, Geo lançou:
“Esse governo termina em abril, e todos nós sabemos disso, apesar de outros dizerem o contrário.”
A frase, embora vaga, provocou reação imediata do governista Valdemar Júnior, que rebateu com ironia:
“Eu não sabia que reduziram o mandato de governador. Então reduziram para 7 de abril? Pra mim, o mandato termina no dia 31 de dezembro.”
Geo, então, retrucou, deixando claro que sua fala era propositalmente ambígua:
“Na pescaria, a gente joga a isca para ver se o peixe pega. Eu não falei dia do mês de abril. Quem citou a data foi Vossa Excelência, talvez porque tenha o conhecimento de que o governador vai se afastar para ser candidato.”
A troca de farpas arrancou risos no plenário, mas também serviu como termômetro da temperatura política nos bastidores. A possibilidade de Wanderlei Barbosa renunciar ao cargo até abril de 2026 para disputar o Senado tem sido assunto recorrente entre lideranças políticas, ainda que o governador negue publicamente qualquer intenção de deixar o Palácio Araguaia antes do fim do mandato.
Mesmo com a negativa oficial de Wanderlei Barbosa sobre uma possível candidatura, o governador aparece liderando pesquisas de intenção de voto para o Senado com mais de 50%. O favoritismo reacende o debate dentro do seu próprio grupo político: setores mais próximos o incentivam a encarar o desafio, argumentando que ele tem “a faca e o queijo na mão” para consolidar uma cadeira no Congresso.
A grande questão, entretanto, é o custo político da decisão. Caso renuncie, Wanderlei deixaria o governo nas mãos do vice Laurez Moreira (PDT), o que exigiria uma reorganização das forças que hoje orbitam o Executivo estadual. Laurez, por sua vez, teria a chance de comandar o Estado por cerca de oito meses, com direito a disputar a reeleição em 2026 com a máquina estadual sob seu controle.
A provocação de Geo foi recebida nos bastidores como mais um indício de que o calendário político já começou a correr. A antecipação das articulações é um reflexo do protagonismo que o Tocantins deve ter no próximo pleito, especialmente com o crescimento de nomes locais em projeção nacional.
Enquanto isso, a oposição afina o discurso, mirando não apenas os projetos polêmicos do governo, como o da Energisa, mas também os sinais de que Wanderlei pode deixar o cargo antes do previsto. O desafio do governador será manter a estabilidade política da base aliada enquanto o jogo de 2026 se desenha — e as “iscas” continuam sendo lançadas no plenário da Assembleia.
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