O policial civil Marco Augusto Velasco Nascimento Albernaz, um dos presos na nova fase da Operação Sisamnes, deflagrada nesta sexta-feira (27) pela Polícia Federal, já responde a um processo criminal de grande repercussão no Tocantins. Ele é réu em ação penal que investiga um suposto esquema envolvendo o ex-governador Mauro Carlesse (Agir), em que agentes públicos teriam atuado para forjar um flagrante de tráfico de drogas com o objetivo de atingir um desafeto político.
A denúncia do Ministério Público do Tocantins (MPTO) foi apresentada em 2023 e relata que Albernaz, junto com outros oito agentes da segurança pública, participou de uma operação clandestina para incriminar um DJ da cidade de Gurupi. O rapaz havia sido apontado como o responsável pela divulgação de um vídeo íntimo atribuído à então primeira-dama do Estado.
Conforme o MPTO, o grupo teria utilizado viaturas oficiais da Polícia Civil, investigado ilegalmente o DJ, plantado entorpecentes em sua motocicleta e até mesmo em sua residência. O jovem chegou a ser preso por 13 dias, até que a Justiça reconheceu que ele era inocente e não havia qualquer indício de envolvimento com tráfico de drogas.
A lista de réus neste caso inclui:
Mauro Carlesse, ex-governador do Tocantins
Enio Wálcacer Oliveira Filho, delegado de Polícia Civil
Carlos Augusto Pereira Alves, policial civil
Antônio Martins Pereira Júnior, policial civil
Santhiago Araújo Queiroz de Oliveira, policial civil
Victor Vandré Sabará Ramos, escrivão de polícia
José Mendes da Silva Júnior, agente de polícia
Marco Albernaz, agente de polícia
Ricardo José de Sá Nogueira, agente de polícia
A denúncia foi recebida em novembro de 2023 pelo juiz Márcio Soares da Cunha, da 3ª Vara Criminal de Palmas, após uma longa disputa judicial sobre a competência do caso.
A nova prisão de Marco Albernaz ocorreu no contexto da Operação Sisamnes, que investiga o vazamento de informações sigilosas de processos em trâmite no Superior Tribunal de Justiça (STJ), bem como suspeitas de comercialização de decisões judiciais. Também foram presos o prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos (Podemos), e o advogado Antônio Ianowich, que já responde a outra ação penal por crimes contra a administração pública.
Segundo a Polícia Federal, foi identificada uma estrutura articulada com o objetivo de antecipar informações sobre ações da própria PF e proteger investigados. Em conversas interceptadas, Eduardo Siqueira chega a afirmar que teria sido avisado previamente por um ministro do STJ sobre o andamento de uma operação. O caso motivou a deflagração da Sisamnes, autorizada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Por enquanto, os envolvidos na Sisamnes ainda não figuram como réus, já que o inquérito permanece sob sigilo no STF.
Em nota encaminhada ao Jornal Opção Tocantins, a Secretaria da Segurança Pública do Tocantins informou que acompanha o caso por meio da Corregedoria-Geral e que adotará todas as medidas administrativas cabíveis em relação ao policial Marco Albernaz. O órgão também reforçou o compromisso com a legalidade e a apuração rigorosa dos fatos.
A nova prisão reacende o debate sobre a responsabilidade de agentes públicos na manipulação de investigações e reforça a necessidade de fiscalização rigorosa sobre o uso de estruturas estatais para fins pessoais ou políticos.
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