Após décadas atrás das grades, os irmãos Erik e Lyle Menendez poderão ter uma nova chance de liberdade. Um juiz da Califórnia decidiu reclassificar as penas aplicadas aos dois, reduzindo a sentença de prisão perpétua sem condicional para um mínimo de 50 anos, o que os torna elegíveis para liberdade condicional segundo a lei estadual que beneficia jovens infratores.
O crime chocou os Estados Unidos em 1989, quando os irmãos, então com 18 e 21 anos, mataram a tiros os próprios pais — José e Kitty Menendez — na mansão da família em Beverly Hills. O caso ganhou notoriedade internacional, sendo tema de livros, séries e documentários, o mais recente deles lançado em 2024, reacendendo o debate sobre o julgamento.
Durante audiência realizada nesta semana em Los Angeles, o juiz Michael Jesic afirmou que a decisão não garante a libertação, mas oferece a possibilidade de análise por parte da junta estadual de liberdade condicional. “Não estou dizendo que eles devem ser soltos — isso não cabe a mim decidir”, destacou o magistrado. “Mas acredito que eles já fizeram o suficiente nesses 35 anos para merecer essa chance.”
Reabilitação e novas alegações
Os irmãos Menendez, que participaram da audiência por videoconferência, ouviram depoimentos de familiares e advogados. A prima Diane Hernandez arrancou risos de Erik ao contar que ele tirou nota máxima em todas as disciplinas no semestre recente da faculdade, demonstrando seu processo de reabilitação na prisão.
A defesa sustenta que os irmãos agiram em legítima defesa, motivados por anos de abuso sexual e psicológico cometidos pelo pai, um executivo influente da indústria do entretenimento. Já os promotores afirmam que o crime foi premeditado, visando a obtenção de uma herança milionária.
Em 2024, o então promotor George Gascón apresentou uma petição para nova sentença, baseando-se em novas evidências que corroborariam as alegações de abuso sexual. Seu sucessor, Nathan Hochman, no entanto, se opôs veementemente à reclassificação, alegando que os irmãos não demonstraram arrependimento suficiente.
O que vem a seguir
Apesar da nova pena mínima definida, os irmãos Menendez ainda precisam ser aprovados pela junta de liberdade condicional, que deve analisar se eles representam risco à sociedade. Os advogados de defesa querem ir além, tentando convencer o tribunal a rebaixar a acusação para homicídio culposo, o que permitiria a libertação imediata com base no tempo já cumprido.
Do lado de fora do tribunal, o advogado Mark Geragos afirmou que a legislação californiana sobre jovens infratores deve ser respeitada. “O foco agora não é reavaliar o crime, mas reconhecer a reabilitação”, disse.
Nos próximos dias, ao menos sete familiares devem testemunhar em novas audiências, enquanto o país acompanha com atenção mais um capítulo de um dos julgamentos mais controversos e marcantes da história criminal dos Estados Unidos.




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