Uma das maiores obras de infraestrutura energética do Brasil terá passagem por 12 municípios do Tocantins. Com investimento estimado em R$ 18,1 bilhões, o projeto prevê a construção de um corredor de transmissão de energia com aproximadamente 1.500 quilômetros de extensão, ligando os estados do Maranhão e Goiás.
Denominado Graça Aranha–Silvânia, o empreendimento é de responsabilidade da estatal chinesa State Grid, por meio da concessionária Graça Aranha Silvânia Transmissora de Energia (GATE). O sistema terá capacidade nominal de transportar 5 gigawatts de potência e deverá ampliar o escoamento da energia produzida por usinas solares e eólicas das regiões Norte e Nordeste.
O projeto avançou para a fase de implantação após o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) emitir, em 2 de junho de 2026, a Licença de Instalação nº 1563/2026, autorizando o início das obras da linha de transmissão e das estruturas associadas.
Veja os 12 municípios do Tocantins que serão atravessados
Conforme o traçado aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a linha de transmissão passará pelos seguintes municípios:
- Lizarda
- Rio Sono
- Novo Acordo
- Lagoa do Tocantins
- Ponte Alta do Tocantins
- Pindorama do Tocantins
- Santa Rosa do Tocantins
- Chapada da Natividade
- São Valério da Natividade
- Peixe
- Talismã
- Jaú do Tocantins
A passagem da estrutura pelo território tocantinense poderá movimentar diferentes setores da economia, como construção civil, transporte, alimentação, hospedagem e fornecimento de materiais.
A estimativa apresentada durante o leilão é de aproximadamente 30 mil empregos diretos durante a implantação do empreendimento em toda a sua extensão. Ainda não há detalhamento de quantas dessas vagas serão destinadas especificamente ao Tocantins.
Propriedades rurais terão áreas destinadas à passagem da rede
A implantação da linha também terá impacto sobre propriedades rurais localizadas no trajeto. A Aneel declarou de utilidade pública uma faixa de 108 metros de largura para a instituição de servidão administrativa.
Na prática, a medida permite a instalação, manutenção e fiscalização das estruturas de transmissão, estabelecendo restrições a construções, plantações de grande porte e outras atividades que possam comprometer a segurança da rede elétrica.
A servidão administrativa não representa necessariamente a perda da propriedade, mas estabelece limitações de uso na área abrangida, observados os procedimentos legais e eventuais indenizações.
Operação poderá começar em março de 2028
Outra novidade é a possibilidade de antecipação do cronograma. Em julho de 2026, a State Grid apresentou ao Ministério de Minas e Energia uma previsão para iniciar a operação do sistema em março de 2028, dois anos antes do prazo originalmente estabelecido, que era 2030.
A proposta foi comunicada pelo presidente do conselho da companhia, Sun Tao, ao ministro Alexandre Silveira.
Equipamentos de mais de 300 toneladas chegam ao Brasil
O avanço do empreendimento também envolve uma grande operação logística. Em outubro de 2026, o Porto do Itaqui, no Maranhão, informou o recebimento de transformadores de ultra-alta tensão importados da China, alguns com peso superior a 300 toneladas.
A operação prevê a chegada de 12 navios com equipamentos destinados às subestações conversoras do projeto. Parte das cargas será transportada em carretas especiais, com deslocamento estimado entre 7 e 8 quilômetros por hora devido às dimensões e ao peso dos equipamentos.
Projeto é estratégico para o setor energético
A principal finalidade do corredor é ampliar a capacidade de transporte de eletricidade entre diferentes regiões do país, especialmente da energia renovável produzida nos parques solares e eólicos do Norte e Nordeste.
A estrutura utilizará tecnologia de corrente contínua em ultra-alta tensão, com aproximadamente 800 quilovolts, permitindo transportar grandes volumes de energia por longas distâncias.
O empreendimento foi contratado após o leilão realizado pela Aneel em dezembro de 2023 e integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC).
Com investimento bilionário e passagem por 12 municípios tocantinenses, a obra coloca o estado no percurso de um dos maiores projetos de transmissão de energia do país, com potencial de movimentar a economia regional e ampliar a infraestrutura energética brasileira.



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