quinta-feira , 15 outubro 2026
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Como funcionava esquema suspeito de pagar R$ 4 milhões em propina no TO

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Como funcionava esquema suspeito de pagar R$ 4 milhões em propina no TO
Policiais coletaram documentos e planilhas com registros financeiros — Foto: Divulgação/Polícia Civil

Investigação aponta movimentação de R$ 10,3 milhões em recursos públicos entre 2021 e 2025 e suspeita de pagamento de mais de R$ 4 milhões em propinas a agentes públicos.

A Polícia Civil do Tocantins deflagrou, nesta quarta-feira (14), a Operação ÔM3GA, que investiga um suposto esquema de corrupção envolvendo contratos públicos em prefeituras e câmaras municipais de 11 cidades do estado. Segundo as investigações, o grupo suspeito teria utilizado empresas de contabilidade como porta de entrada nas administrações municipais para ampliar negócios e obter contratos de diferentes áreas.

De acordo com a Polícia Civil, o esquema teria movimentado mais de R$ 10,3 milhões em recursos públicos entre 2021 e 2025. Desse montante, mais de R$ 4 milhões teriam sido repassados ilegalmente a agentes políticos, vereadores, secretários, servidores públicos e procuradores municipais, em troca de favorecimento às empresas investigadas.

A operação mobilizou mais de 100 policiais civis, que cumpriram 70 mandados de busca e apreensão relacionados a 41 alvos. As diligências ocorreram em Araguaína, Palmas, Ananás, Arapoema, Darcinópolis, Pau D’Arco, Pedro Afonso, Nova Olinda, Palmeirante, Colinas do Tocantins e Figueirópolis.

As equipes realizaram buscas em sedes de cinco prefeituras e cinco câmaras municipais, além de escritórios de advocacia, empresas e residências dos investigados. Até o momento, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) não informou quais municípios e gestores públicos são alvos específicos da investigação.

Como funcionaria o suposto esquema

As investigações começaram em 2024, após a Polícia Civil identificar suspeitas de irregularidades em contratações públicas nos municípios de Nova Olinda e Darcinópolis. Posteriormente, conforme os investigadores, o grupo teria ampliado sua atuação para outras cidades tocantinenses.

A suspeita é de que empresas de contabilidade ligadas aos investigados fossem contratadas inicialmente pelas administrações municipais. Esses contratos permitiriam uma aproximação com a estrutura administrativa e abririam caminho para que outras empresas relacionadas ao grupo também conquistassem contratos públicos.

Entre os serviços que teriam sido contratados estão atividades de engenharia, digitalização de documentos, sistemas de gestão e locação de veículos.

Durante a apuração, os investigadores analisaram documentos relacionados a licitações, pareceres jurídicos, minutas contratuais e propostas de empresas concorrentes. Parte desse material estaria em formato editável, circunstância que, segundo a Polícia Civil, reforça a suspeita de possível favorecimento nos procedimentos de contratação.

Planilha teria registrado pagamentos a agentes públicos

Um dos elementos considerados relevantes pela investigação é uma planilha encontrada em arquivos digitais de um dos investigados. Datado de março de 2021, o documento apresentaria registros de repasses financeiros a agentes públicos, descritos pelo próprio grupo como “voltas”.

Segundo a Polícia Civil, as empresas de contabilidade investigadas receberam mais de R$ 10,3 milhões entre 2021 e 2025, principalmente de prefeituras, câmaras municipais e fundos públicos.

Parte desses valores teria sido destinada ao pagamento de propinas para garantir vantagens às empresas envolvidas. A investigação busca identificar os beneficiários dos repasses e esclarecer como os recursos eram distribuídos.

Polícia apura possível lavagem de dinheiro

Além das suspeitas de corrupção e irregularidades em contratos públicos, a Polícia Civil investiga possíveis práticas de lavagem de dinheiro.

Entre os indícios apurados estão saques e depósitos em dinheiro realizados de forma fracionada, supostamente para dificultar o rastreamento das movimentações financeiras. Os investigadores também apuram o possível uso de empresas e terceiros para fazer circular os valores.

A Operação ÔM3GA busca reunir provas sobre o funcionamento do suposto esquema, identificar os envolvidos e esclarecer a participação de agentes públicos e empresários nas contratações investigadas.

Até o momento, as informações divulgadas se referem a suspeitas investigadas pela Polícia Civil. A identificação dos responsáveis e a eventual responsabilização criminal dependerão do avanço das apurações e das decisões das autoridades competentes.

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