Moradoras e crianças se trancaram no banheiro para se proteger; Polícia Militar utilizou arma de eletrochoque para conter o homem, que foi encaminhado ao CAPS
Uma invasão a uma residência na Serra de Taquaruçu, distrito de Palmas, provocou momentos de medo para uma família na noite do último sábado (10). Segundo relato de uma moradora ao portal T1 Notícias, o episódio aconteceu por volta das 22h30, quando um vizinho de 41 anos teria pulado o muro da casa e entrado no quintal.
De acordo com a família, o homem já era conhecido na comunidade por episódios anteriores de comportamento agressivo. Moradores relataram situações de perseguição a mulheres, depredação de patrimônio público e conflitos com outros residentes. A ocorrência de sábado, conforme os relatos, teria sido a primeira invasão a um imóvel.
Família se trancou no banheiro
Assustadas com a presença do homem, as moradoras se trancaram no banheiro junto com as crianças e acionaram a Polícia Militar. Conforme o relato, a equipe chegou ao local cerca de 30 minutos depois.
Para prestar atendimento, os policiais precisaram pular o muro da residência, já que a família permanecia trancada por segurança.
Segundo as informações divulgadas, ao perceber a presença dos agentes, o homem avançou contra a equipe portando uma barra de madeira, pedaços de concreto e uma tesoura que teria recolhido na rua.
Para contê-lo, os policiais utilizaram disparos de uma arma de eletrochoque, conhecida como taser. Mesmo após a intervenção, o homem tentou fugir, mas foi localizado ainda no quintal da residência.
Ele foi conduzido ao Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). Um boletim de ocorrência foi registrado, e a família informou que pretende procurar o Ministério Público para solicitar providências.
Família pede apoio do poder público
A moradora relatou que o homem tem diagnóstico de esquizofrenia e, segundo informações da comunidade, recebe acompanhamento em saúde mental. Os vizinhos também afirmaram que ele já teria sido preso e internado anteriormente.
Ainda conforme os relatos, a mãe do homem é a principal responsável por seus cuidados, mas está em viagem ao exterior e deve retornar no próximo mês. A família teria informado anteriormente aos vizinhos que enfrentava dificuldades relacionadas à adesão do filho à medicação prescrita e buscava alternativas para o tratamento.
Diante do episódio, familiares das vítimas pediram a atuação dos órgãos públicos para conciliar a assistência em saúde mental com a proteção dos moradores.
“Peço à Prefeitura de Palmas que encaminhe este caso aos órgãos responsáveis pela segurança pública, saúde mental e assistência social”, afirmou a mãe das vítimas.
Secretaria Municipal da Saúde se manifesta
Em nota, a Secretaria Municipal da Saúde de Palmas (Semus) informou que o atendimento em saúde mental é realizado pelos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), conforme as necessidades de cada usuário e os critérios técnicos das equipes multiprofissionais.
A pasta ressaltou que, por questões de sigilo, não pode confirmar informações sobre o acompanhamento de pessoas específicas nem detalhar condutas adotadas em casos individuais.
A secretaria explicou ainda que o tratamento na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) prioriza a participação voluntária do paciente, com apoio da família ou de sua rede de suporte. Quando a pessoa não tem capacidade para tomar determinadas decisões, devem ser observadas as medidas legais aplicáveis, com participação do representante legal, quando houver.
A Semus orientou que familiares que enfrentem dificuldades para dar continuidade ao tratamento procurem a equipe responsável para receber orientações.
A pasta também destacou que o acompanhamento em saúde mental não substitui a atuação das forças de segurança em situações de ameaça ou agressão. Em casos de risco à integridade física, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190, buscar um local seguro e evitar confrontos.
O caso reacende a discussão sobre a necessidade de articulação entre segurança pública, saúde mental e assistência social para atender situações de risco, garantindo tanto a proteção da comunidade quanto o acesso adequado ao tratamento.


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