Rompimentos políticos no Tocantins, Maranhão e Rondônia transformam aliados em adversários e mudam estratégias de sucessão
Conflitos entre governadores e seus vices vêm alterando o xadrez político em diferentes estados e colocando em xeque candidaturas ao Senado em 2026. A dinâmica, observada no Tocantins, no Maranhão e em Rondônia, tem em comum o rompimento de alianças, a transformação de antigos parceiros em adversários diretos e a decisão estratégica de governadores de permanecerem no cargo até o fim do mandato para evitar o fortalecimento de opositores internos.
No Tocantins, o distanciamento entre o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) e o vice-governador Laurez Moreira (PSD) antecede o afastamento do chefe do Executivo determinado pelo Superior Tribunal de Justiça entre setembro e dezembro do ano passado. O rompimento político já estava consolidado, mas se aprofundou durante o período em que Laurez assumiu interinamente o comando do Palácio Araguaia.
Mesmo antes de reassumir o cargo por decisão liminar do Supremo Tribunal Federal, Wanderlei passou a sustentar publicamente a narrativa de que teria sido alvo de uma articulação política do vice para afastá-lo do governo. Em manifestações nas redes sociais, o governador afirmou ter sido vítima de uma conspiração. Laurez, por outro lado, manteve postura de oposição interna e segue estruturando sua pré-candidatura ao governo estadual pelo PSD.
Embora lidere pesquisas de intenção de voto para o Senado, Wanderlei Barbosa tem reiterado que cumprirá integralmente o mandato até dezembro, decisão que impede uma nova transferência do comando do Executivo ao vice. Segundo interlocutores, o governador busca influenciar diretamente a sucessão estadual, com tendência de apoio à senadora Dorinha Seabra (União Brasil) ao governo, além de defender as candidaturas do deputado federal Carlos Gaguim (União Brasil) ao Senado e a reeleição do senador Eduardo Gomes (PL).
No Maranhão, a estratégia se repete. O governador Carlos Brandão decidiu permanecer no cargo após o rompimento com o vice Felipe Camarão. A relação entre os dois se desgastou ao longo do mandato, e a possibilidade de deixar o governo passou a ser vista como um risco político, diante do fortalecimento de um adversário direto.
Já em Rondônia, o governador Marcos Rocha enfrenta cenário semelhante após a ruptura com o vice Sérgio Gonçalves. O afastamento político se consolidou após uma disputa judicial durante a ausência de Rocha do estado, levando o governador a rever planos de deixar o cargo para disputar o Senado.
Nos três estados, a decisão de permanecer até o fim do mandato deixou de ser apenas administrativa e passou a ter peso eleitoral estratégico. A desconfiança em relação aos vices e o receio de perda de controle político transformaram a sucessão estadual e a disputa pelo Senado em variáveis interligadas, com impacto direto na formação de alianças, no desenho das chapas e no equilíbrio de forças para as eleições de 2026.




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