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Filho de ex-marido da primeira-dama trabalhou no gabinete de Claudia Lelis; conexões aparecem em investigação da Operação Fames-19

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Filho de ex-marido da primeira-dama trabalhou no gabinete de Claudia Lelis; conexões aparecem em investigação da Operação Fames-19
Deputada estadual Cláudia Lelis | Foto: Lourenço Bonifácio

Pedro Paulo Martins Lustosa ocupou cargo comissionado na Assembleia Legislativa e teria recebido R$ 42 mil em salários; Polícia Federal aponta elo entre Claudia Lelis, Karynne Sotero e PC Lustosa em suposto esquema de desvio de R$ 73 milhões em cestas básicas

A teia de conexões revelada pela Operação Fames-19, que investiga um suposto desvio de R$ 73 milhões em contratos de fornecimento de cestas básicas durante a pandemia de covid-19, ganhou um novo capítulo. Documentos consultados pela reportagem mostram que Pedro Paulo Martins Lustosa, filho de Paulo César Lustosa Limeira (PC Lustosa) — ex-marido da primeira-dama afastada, Karynne Sotero — trabalhou por quase um ano no gabinete da deputada estadual Claudia Lelis (PV).

Segundo o Portal da Transparência da Assembleia Legislativa, Pedro Paulo exerceu a função de secretário parlamentar entre 3 de maio de 2022 e 9 de março de 2023, recebendo salário de R$ 3.402. No período, incluindo férias e 13º proporcional, os ganhos somaram cerca de R$ 42 mil.

Tanto PC Lustosa quanto a deputada Claudia Lelis estão entre os investigados da operação deflagrada pela Polícia Federal. As apurações revelam que Claudia teria mantido diálogos diretos com PC Lustosa, a pedido de Karynne Sotero, com o objetivo de direcionar emendas parlamentares para o Instituto de Desenvolvimento e Gestão Social, Esportiva e Cultural (IDEGESESC) — entidade suspeita de desviar recursos públicos em contratos de cestas básicas não registrados no portal da transparência estadual.

Emendas sob suspeita

Em registros interceptados pela PF, de junho de 2024, Claudia Lelis teria tentado intermediar uma emenda de R$ 300 mil para a reforma de um complexo da pessoa idosa. Contudo, o valor teria sido redirecionado ao IDEGESESC, ligado à primeira-dama. Em conversas, PC Lustosa e seu irmão, Wilton Pires, mencionam a perda de uma comissão de aproximadamente 10% da verba e atribuíram a decisão de Claudia à sua aproximação política com Karynne Sotero:

“…porque que o pessoal veio atrás de nós, da emenda lá da Claudia?…”
“Aproximação com Karynne. Cláudia não é boba.”, respondeu PC Lustosa.

As investigações ainda apontam que a cooperação entre Claudia Lelis e Karynne Sotero ocorreu em outros momentos, incluindo emendas parlamentares direcionadas em 2022 para projetos na Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), à época sob comando de Karynne, e na Secretaria de Esportes e Juventude.

PC Lustosa como operador do esquema

De acordo com a PF, PC Lustosa seria peça central no suposto esquema de desvio sistemático de recursos, atuando como intermediário em contratos de fornecimento de cestas básicas e mantendo acesso direto à cúpula do Executivo Estadual. Entre os indícios levantados estão:

  • Movimentação financeira irregular: recebimento de valores de empresas ligadas ao esquema e saques que totalizam R$ 665 mil, com sinais de lavagem de dinheiro.

  • Negociação de propinas: diálogos sobre vantagens indevidas em contratos do governo e de prefeituras, incluindo combinação de resultados de licitações.

  • Fraudes em licitações: associação com empresas como a PORTINARI, vencedora de oito certames.

  • Atuação no IDEGESESC e META SERVICE: envolvimento em desvios através de contratos simulados de cestas básicas e de contratos milionários, como o da META SERVICE, contratada pelo Estado por mais de R$ 3 milhões em 2022.

  • Uso de dinheiro em espécie: pagamentos planejados fora do sistema bancário para dificultar rastreamento.

O escândalo levou ao afastamento, em 3 de setembro, do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) e da primeira-dama Karynne Sotero, por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A aproximação pública entre Claudia Lelis, PC Lustosa e Karynne Sotero também aparece registrada em redes sociais, reforçando a linha de investigação sobre cooperação política e administrativa.

Nossa equipe de reportagem procurou a deputada Claudia Lelis para esclarecimentos, mas até o fechamento desta edição não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.

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