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Governador afastado alegou que fatos investigados ocorreram no governo Carlesse e diz não haver provas que justifiquem sua saída do cargo

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Governador afastado alegou que fatos investigados ocorreram no governo Carlesse e diz não haver provas que justifiquem sua saída do cargo
Foto: Adilvan Nogueira

O governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos), afastado do cargo por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) na tentativa de reassumir o comando do Estado. O pedido de habeas corpus foi protocolado na quinta-feira (4) e distribuído na segunda-feira (8) ao ministro Edson Fachin, que foi o relator do caso.

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta quarta-feira, 10, não conhecer o recurso apresentado pelo governador afastado do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos), que buscava reassumir o comando do Estado.

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Wanderlei e a primeira-dama, Karynne Sotero, foram afastados por 180 dias na 2ª fase da Operação Fames-19, da Polícia Federal, que apura um suposto esquema de desvio de recursos destinados à compra de cestas básicas e frangos congelados durante a pandemia de Covid-19.

Em nota, o governador classificou a medida como “precipitada” e alegou que os fatos em investigação ocorreram em 2020 e 2021, quando ele era vice-governador na gestão de Mauro Carlesse (Agir). “Não era ordenador de despesas”, destacou. A primeira-dama também disse confiar na comprovação de sua “total ausência de participação nos fatos”.

O que diz a defesa

No habeas corpus, a defesa de Wanderlei Barbosa argumenta que não há provas que justifiquem a medida cautelar de afastamento e sustenta que não houve corrupção sistêmica no período em questão. Os advogados afirmam que os contratos investigados remetem ao governo Carlesse e destacam que a atual gestão de Wanderlei tem apresentado indicadores positivos de crescimento econômico, o que, segundo eles, reforça a impropriedade de sua retirada do cargo.

O que apura a Polícia Federal

De acordo com a investigação, há indícios de crimes como peculato, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, fraude em licitações e organização criminosa. A Polícia Federal afirma que contratos que somam mais de R$ 97 milhões foram celebrados para fornecimento de cestas básicas e frangos congelados, resultando em prejuízo de mais de R$ 73 milhões aos cofres públicos.

A apuração também investiga se parte dos recursos foi utilizada para a construção de uma pousada de luxo em Taquaruçu, registrada em nome de um dos filhos de Wanderlei. Outro ponto em análise é a suposta atuação do ex-marido da primeira-dama, apontado como lobista no esquema.

Desdobramentos políticos

Com o afastamento, o comando do governo estadual passou ao vice, Laurez Moreira (PSD). Além do governador e da primeira-dama, dez deputados estaduais também são citados na investigação.

Na primeira fase da operação, deflagrada em agosto de 2024, a Polícia Federal apreendeu R$ 67,7 mil em espécie, além de dólares e euros, durante buscas na residência e no gabinete de Wanderlei Barbosa.

A Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (Setas) informou que está colaborando com as investigações. Já a defesa do ex-governador Mauro Carlesse negou qualquer envolvimento dele no esquema investigado.

Nota da defesa

A defesa técnica do Governador Wanderlei Barbosa esclarece que não se manifesta publicamente sobre processos em andamento, especialmente aqueles que tramitam sob segredo de justiça.

Eventuais decisões desfavoráveis aos interesses do Governador serão objeto dos recursos cabíveis.

Reitera-se, contudo, que as acusações dirigidas ao Governador não correspondem à realidade dos fatos.

A defesa confia que o tempo e o devido processo legal permitirão uma apuração correta e imparcial, assegurando o pleno exercício do direito de defesa e a atuação harmônica das instituições, em estrita observância aos princípios do Estado Democrático de Direito.

Com fé inabalável na Justiça, a defesa reafirma sua convicção de que, em breve, o Governador Wanderlei Barbosa será reconduzido ao cargo que lhe foi legitimamente conferido pelo povo tocantinense.

Fonte: Gazeta do Cerrado

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