Wanderlei e a primeira-dama, Karynne Sotero, foram afastados por 180 dias na 2ª fase da Operação Fames-19, da Polícia Federal, que apura um suposto esquema de desvio de recursos destinados à compra de cestas básicas e frangos congelados durante a pandemia de Covid-19.
Em nota, o governador classificou a medida como “precipitada” e alegou que os fatos em investigação ocorreram em 2020 e 2021, quando ele era vice-governador na gestão de Mauro Carlesse (Agir). “Não era ordenador de despesas”, destacou. A primeira-dama também disse confiar na comprovação de sua “total ausência de participação nos fatos”.
O que diz a defesa
No habeas corpus, a defesa de Wanderlei Barbosa argumenta que não há provas que justifiquem a medida cautelar de afastamento e sustenta que não houve corrupção sistêmica no período em questão. Os advogados afirmam que os contratos investigados remetem ao governo Carlesse e destacam que a atual gestão de Wanderlei tem apresentado indicadores positivos de crescimento econômico, o que, segundo eles, reforça a impropriedade de sua retirada do cargo.
O que apura a Polícia Federal
De acordo com a investigação, há indícios de crimes como peculato, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, fraude em licitações e organização criminosa. A Polícia Federal afirma que contratos que somam mais de R$ 97 milhões foram celebrados para fornecimento de cestas básicas e frangos congelados, resultando em prejuízo de mais de R$ 73 milhões aos cofres públicos.
A apuração também investiga se parte dos recursos foi utilizada para a construção de uma pousada de luxo em Taquaruçu, registrada em nome de um dos filhos de Wanderlei. Outro ponto em análise é a suposta atuação do ex-marido da primeira-dama, apontado como lobista no esquema.
Desdobramentos políticos
Com o afastamento, o comando do governo estadual passou ao vice, Laurez Moreira (PSD). Além do governador e da primeira-dama, dez deputados estaduais também são citados na investigação.
Na primeira fase da operação, deflagrada em agosto de 2024, a Polícia Federal apreendeu R$ 67,7 mil em espécie, além de dólares e euros, durante buscas na residência e no gabinete de Wanderlei Barbosa.
A Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (Setas) informou que está colaborando com as investigações. Já a defesa do ex-governador Mauro Carlesse negou qualquer envolvimento dele no esquema investigado.
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