O governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos), foi afastado do cargo por 180 dias nesta quarta-feira (3), por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A medida foi determinada pelo ministro Mauro Campbell Marques, a pedido do Ministério Público, no âmbito da Operação Fames-19, que investiga suposto desvio de recursos públicos destinados à compra de cestas básicas e frangos congelados durante a pandemia de Covid-19.
Com o afastamento de Barbosa, o vice-governador Laurez Moreira (PSD) assume interinamente o governo do Estado. A relação entre os dois não é das melhores; em 2024, Wanderlei chegou a enviar uma proposta de emenda à Constituição, conhecida como “PEC do Apego”, para evitar que o vice assumisse o cargo em viagens do governador.
Trajetória política
Wanderlei Barbosa nasceu em Porto Nacional (TO) e iniciou a carreira política em 1989 como vereador. Em 1996, elegeu-se vereador em Palmas, cargo que ocupou por diversos mandatos, incluindo quatro anos como presidente da Câmara Municipal.
Em 2010, foi eleito deputado estadual, função que exerceu até 2018. Nesse ano, afastou-se para disputar a eleição suplementar ao lado de Mauro Carlesse (Agir) como vice-governador. Após o afastamento e renúncia de Carlesse em 2021, Barbosa assumiu o governo e foi eleito para o cargo em 2022.
Durante a campanha, Wanderlei se apresentou como um político próximo ao povo, adotando o apelido de “governador curraleiro”, estratégia usada para reforçar suas origens e trajetória de vida.
A Operação Fames-19
A operação investiga supostos desvios de recursos públicos entre 2020 e 2021. Durante a pandemia, contratos para fornecimento de cestas básicas e frangos, no valor de R$ 97 milhões, teriam causado um prejuízo estimado em R$ 73 milhões. Segundo as investigações, os valores desviados teriam sido ocultados por meio de empreendimentos de luxo, compra de gado e pagamento de despesas pessoais.
Mais de 200 policiais federais estão cumprindo 51 mandados de busca e apreensão em Palmas, Araguaína, Distrito Federal, Paraíba e Maranhão. A primeira fase da operação, em agosto de 2024, já havia atingido Barbosa, sua esposa e outros políticos e empresários. Na ocasião, foram encontrados R$ 67,7 mil em espécie, além de valores em dólares e euros.
Notas oficiais
Wanderlei Barbosa:
“Recebo a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) com respeito às instituições, mas registro que se trata de medida precipitada, adotada quando as apurações da Operação Fames-19 ainda estão em andamento, sem conclusão definitiva sobre qualquer responsabilidade da minha parte. É importante ressaltar que o pagamento das cestas básicas, objeto da investigação, ocorreu entre 2020 e 2021, ainda na gestão anterior, quando eu exercia o cargo de vice-governador e não era ordenador de despesa.
Reforço que, por minha determinação, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e a Controladoria-Geral do Estado (CGE) instauraram auditoria sobre os contratos mencionados e encaminharam integralmente as informações às autoridades competentes.
Além dessa providência já em curso, acionarei os meios jurídicos necessários para reassumir o cargo de Governador do Tocantins, comprovar a legalidade dos meus atos e enfrentar essa injustiça, assegurando a estabilidade do Estado e a continuidade dos serviços à população.”*
Karynne Sotero Campos:
“Reitero meu respeito à decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e às instituições, ressaltando que irei dedicar-me plenamente à minha defesa, convicta de que conseguirei comprovar minha total ausência de participação nos fatos que estão sendo apontados.
Desejo que tudo seja esclarecido e reestabelecido com brevidade e justiça, pelo bem do povo tocantinense, a quem dedico meu trabalho e compromisso.”




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