A influenciadora Maria Karollyny Campos Ferreira, conhecida como Karol Digital, foi presa nesta sexta-feira (22) em um condomínio de alto padrão em Araguaína, norte do Tocantins. Ela e o namorado, Dhemerson Rezende Costa, são suspeitos de integrar um esquema de exploração ilegal de jogos de azar, associação criminosa, lavagem de dinheiro e crime contra a economia popular.
A prisão faz parte da operação FRAUS, deflagrada pela Polícia Civil do Tocantins, com apoio do Ministério Público, que mobilizou cerca de 40 policiais. No total, foram cumpridas 23 ordens judiciais de busca e apreensão em endereços ligados à influenciadora, autorizadas pela 1ª Vara Criminal de Araguaína.
Durante a ação, foram apreendidos carros de luxo, além do bloqueio e sequestro de mansões e fazendas ostentados pela influenciadora em suas redes sociais, onde acumula mais de 1,5 milhão de seguidores.
Movimentação milionária
Segundo a investigação, Karol e outros alvos movimentaram R$ 217,6 milhões entre janeiro de 2019 e outubro de 2024. A análise bancária revelou 30 contas em 13 instituições financeiras, somando R$ 108,4 milhões em créditos e R$ 107,3 milhões em débitos.
Somente em contas pessoais da influenciadora, foram identificados depósitos de R$ 37,2 milhões provenientes de plataformas ilegais de apostas. A investigação aponta ainda que Karol transferiu bens adquiridos com supostos ganhos ilícitos para três empresas em seu nome, utilizadas como fachada para lavagem de dinheiro.
“Foram criadas holdings e empresas que aparentavam licitude, mas acreditamos que grande parte dos valores angariados de forma ilícita eram clareados por meio dessas estruturas”, explicou o delegado Wanderson Queiroz, da Polícia Civil.
Manipulação nas redes sociais
De acordo com a decisão judicial, Karol utilizava seu perfil para promover plataformas ilegais de apostas, induzindo seguidores ao erro. A investigação revelou que ela exibia supostos ganhos falsos, muitas vezes de plataformas diferentes daquelas que era paga para divulgar.
“Há indícios de que a investigada enganava seus seguidores ao afirmar que ganhava dinheiro jogando, quando, na verdade, o dinheiro era proveniente dos acordos com as plataformas”, destacou a promotora de Justiça Jeniffer Medrado.
Mesmo após o início da investigação, Karol teria continuado a publicar links de sites ilegais. Em decisão, o juiz Kilber Correia Lopes apontou que, em 24 de maio de 2025, a influenciadora ainda divulgava plataformas sem autorização do Ministério da Fazenda para operar no Brasil.
Patrimônio incompatível
O relatório que embasou as prisões destacou a grande movimentação financeira incompatível com a renda declarada, além da utilização de empresas de fachada, ocultação de bens de luxo e indícios de corrupção e fraude.
Com a prisão preventiva decretada, Karol e Dhemerson foram encaminhados ao sistema prisional, onde permanecerão à disposição da Justiça.




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