Nesta segunda-feira, 21, a cena política de Palmas foi marcada por um episódio decisivo envolvendo o ex-prefeito, vereador e presidente do PSB, Carlos Amastha. A informação sobre sua possível exoneração do cargo de secretário da Zeladoria Urbana vazou antes mesmo de qualquer confirmação oficial, gerando grande repercussão nos bastidores do Paço Municipal.
Desde a última sexta-feira, 18, era aguardado um encontro pessoal entre o atual prefeito, Eduardo Siqueira Campos, e Amastha. A reunião, prometida como momento de esclarecimento e acerto de versões, visava separar os boatos das verdades que, nos últimos dias, alimentaram rumores sobre disputas internas, supostas traições e estratégias de poder dentro da administração municipal.
Fontes próximas relataram que uma conversa por telefone entre os dois, somada a um breve encontro nos estúdios do SBT, onde o prefeito concedeu entrevista, precedeu o momento decisivo que se espera para esta segunda-feira: a deliberação final de Eduardo sobre a permanência ou exoneração de Amastha.
A possibilidade de que Amastha retorne à Câmara de Vereadores mantendo uma aliança política com a gestão é considerada remota. Para muitos, o cenário aponta para uma ruptura definitiva entre os dois líderes, resultado de divergências acumuladas nas últimas semanas e da pressão por mudanças no secretariado durante a ausência temporária do prefeito, então em tratamento de saúde.
Verdades e Mentiras
No centro do conflito, estão especulações que vão desde supostas articulações para manter o vice-prefeito Carlos Velozo no comando da cidade, até rumores sobre trocas no comando de secretarias estratégicas, como a de Finanças e Zeladoria.
Entre as informações desmentidas está a possível nomeação de Adir Gentil e de Cláudio Schuller para cargos de destaque na gestão municipal. Ambos negaram qualquer envolvimento com a administração de Palmas.
Por outro lado, é confirmado que Amastha participou ativamente de agendas ao lado do vice-prefeito, o que gerou desconforto entre aliados do prefeito Eduardo. O ex-prefeito também manteve contato com fornecedores da prefeitura em meio à crise financeira que afetou o pagamento de terceirizados, chegando a interceder pessoalmente para garantir alimentação gratuita a trabalhadores em situação de vulnerabilidade.
A relação com empresas como Global e Montana, responsáveis por serviços essenciais, agravou-se diante da falta de repasses, resultando na suspensão de benefícios como o vale-alimentação e a interrupção de outros serviços, como fornecimento de marmitas e passagens.
Caminhos e Consequências
Embora ainda não oficializada, a exoneração de Carlos Amastha teria sido cogitada para publicação no Diário Oficial da última sexta-feira, mas retirada em tempo para que a conversa entre os dois pudesse ocorrer. A expectativa é que a decisão seja anunciada após o encontro desta segunda.
A tensão política instalada reabre discussões sobre a base de apoio do prefeito na Câmara e o papel que o PSB e o Agir desempenharam para sua chegada ao segundo turno nas eleições municipais. Há quem defenda que a administração precisa de uma oposição crítica, capaz de avaliar com maior rigor projetos controversos como o novo sistema de transporte coletivo e a concessão da área portuária.
Por fim, o episódio escancara os desafios de se manter uma coalizão política num cenário fragmentado, onde alianças são testadas diante de crises administrativas e interesses divergentes. Resta saber se o prefeito Eduardo Siqueira optará pelo confronto aberto com antigos aliados ou buscará uma saída política que preserve sua governabilidade sem comprometer a estabilidade da gestão.




Deixe um comentário