A disputa pela presidência do Diretório Estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) no Tocantins ganhou novos contornos nesta terça-feira, 15, com a apresentação de um parecer técnico pericial pela campanha do candidato Nile William. O documento contesta duramente o laudo elaborado por Diego Montelo, candidato da situação apoiado pelo atual presidente estadual da legenda, Zé Roberto Lula, e que questionava a validade de assinaturas em listas de votação do Processo de Eleição Direta (PED) de 2025.
Assinado pelo perito documentoscópico Valdir Miranda Bizerra, ex-perito oficial do Estado do Tocantins com mais de 20 anos de atuação na área, o parecer aponta inconsistências técnicas, falhas metodológicas e até indícios de possível manipulação de dados no material utilizado por Montelo para embasar denúncias de falsificação.
“O laudo apresentado se limita à comparação de letras isoladas, desconsiderando critérios essenciais previstos na Norma Brasileira de Grafoscopia, como ataques, remates, pressão de punho e proporcionalidade gráfica”, afirma Bizerra em trecho do parecer de 18 páginas.
Segundo o especialista, a complexidade da análise de assinaturas exige tempo e rigor técnico, o que não teria sido observado no laudo da situação. “Produzir um laudo grafotécnico conclusivo em poucas horas é tecnicamente inviável. O tempo mínimo necessário para uma análise criteriosa é de dez dias, o que não foi respeitado nesse caso”, acrescenta.
Conflito de interesses e denúncias de irregularidades
Além de contestar a autenticidade do laudo apresentado por Diego Montelo, a campanha de Nile William também denunciou supostas irregularidades na condução do processo eleitoral interno do PT no Tocantins. A equipe de William alega que Montelo acumulou funções de fiscal, executor e candidato, o que violaria os princípios estatutários do partido e colocaria em xeque a transparência do PED.
Entre as acusações estão:
-
A totalização individual dos votos por Montelo;
-
Restrição de acesso às atas por parte da comissão eleitoral;
-
Distribuição direcionada de cédulas apenas para diretórios aliados.
“Essa prática rompe com os princípios democráticos e compromete toda a lisura do processo. Não se trata apenas de uma disputa interna, mas de preservar a democracia do PT”, afirmou um dos advogados da campanha de Nile William.
Reação e medidas jurídicas
Diante dos apontamentos apresentados no parecer técnico, os representantes de Nile William informaram que será protocolada uma representação formal junto à Direção Nacional do PT, com pedido de anulação das decisões tomadas pela atual direção estadual. O caso também será encaminhado à Comissão Nacional de Ética Partidária, que deverá avaliar possíveis sanções diante das denúncias.
“Não aceitaremos ser vítimas de um golpe interno. O que está em jogo é mais do que essa eleição, é o futuro da democracia partidária no Tocantins”, declarou o Professor Nile William, que afirma ter obtido maioria de votos em diversas localidades, mas teve parte dos resultados contestados com base em um laudo que agora é alvo de contestação técnica.
A crise interna no PT Tocantins evidencia o grau de polarização na legenda estadual e promete desdobramentos nas instâncias superiores do partido. A Direção Nacional ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso, mas fontes ouvidas reservadamente indicam que o episódio poderá ser levado à Executiva Nacional para deliberação.




Deixe um comentário