O ex-governador do Tocantins, Mauro Carlesse (Agir), foi preso na manhã deste domingo (15) durante uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual (MPTO). A prisão ocorreu em uma fazenda em São Salvador, na região sul do estado, e se deu por ordem da 3ª Vara Criminal de Palmas, que apura indícios de um possível plano de fuga do ex-governador para o exterior. A investigação permanece sob sigilo judicial, e os detalhes da apuração ainda não foram divulgados pelo MPTO.
De acordo com a decisão judicial, Carlesse teria tomado medidas para tentar deixar o Brasil, incluindo a obtenção de uma identidade uruguaia e um passaporte italiano. Essas informações foram apontadas como indícios de que o ex-governador estaria planejando fugir do país, o que resultou na prisão preventiva. Em sua defesa, Carlesse afirmou que não sabia do motivo de sua prisão, mas se colocou à disposição da Justiça para esclarecimentos. “Um mandado não sei o porquê, dizendo que ia fugir do país, coisa parecida com isso. Ainda não tenho acesso, mas vou me inteirar para poder me defender”, disse Carlesse após a detenção.

Além da prisão de Carlesse, outro mandado foi cumprido contra Claudinei Quaresemin, ex-secretário de Parcerias e Investimentos do Tocantins, que já se encontra preso desde o dia 10 de dezembro, na Operação Overclean, da Polícia Federal. Ele é investigado por envolvimento em fraudes licitatórias, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro. A decisão que determinou a prisão de Carlesse e Quaresemin destacou ainda que ambos poderiam estar envolvidos em organizações criminosas que operavam de forma interligada.
Mauro Carlesse, que governou o Tocantins entre 2018 e 2021, já foi alvo de diversas investigações, incluindo a Operação Hygea, que investiga supostos pagamentos de propina no plano de saúde dos servidores públicos, e a Operação Éris, que apura o aparelhamento da Polícia Civil. Carlesse também foi afastado do cargo pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 2021, após suspeitas de corrupção, e renunciou para evitar um processo de impeachment.
Após sua prisão, Carlesse foi submetido a uma audiência de custódia e transferido para uma carceragem no quartel do Comando Geral da Polícia Militar, em Palmas. Ele passará por exames de corpo de delito e permanecerá sob custódia enquanto as investigações prosseguem.
A defesa do ex-governador manifestou indignação com a prisão, afirmando que Carlesse nunca foi condenado e sempre colaborou com a Justiça. Eles anunciaram que irão apresentar um pedido de revogação da prisão preventiva.
Íntegra da nota da defesa de Mauro Carlesse:
“O ex-governador Mauro Carlesse informa à população tocantinense que recebeu a notícia da prisão com indignação, pois não é condenado em nenhum processo e nem possui qualquer proibição de ir e vir, estando em pleno gozo de todos os seus direitos fundamentais, principalmente o de ir e vir. Quando requisitado, sempre responde à Justiça com advogado constituído e colabora com as informações solicitadas. Mauro Carlesse sempre esteve à disposição da Justiça e assim permanecerá. A defesa irá apresentar o pedido de revogação da prisão.”
O caso segue sob investigação, com o Ministério Público e as autoridades judiciais acompanhando de perto os desdobramentos desta operação.
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