Partido considera os vínculos dos candidatos com o bolsonarismo incompatíveis com suas diretrizes e anuncia que concentrará esforços na campanha de reeleição de Lula.
O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) decidiu não apoiar nenhum dos dois candidatos que disputam o segundo turno das eleições para o Governo do Tocantins. Em resolução aprovada na noite de segunda-feira (12) e divulgada nesta terça-feira (13), a direção estadual rejeitou tanto a candidatura da senadora Professora Dorinha Seabra (União Brasil) quanto a do deputado federal Vicentinho Júnior (PSDB).
Segundo o partido, os dois candidatos possuem vínculos políticos com o bolsonarismo e não apresentam compromissos considerados suficientes com as pautas defendidas pela legenda, especialmente nas áreas de direitos trabalhistas, justiça social e democracia.
A decisão foi tomada pouco mais de uma semana após o primeiro turno, quando o PSOL disputou o Governo do Tocantins com o professor Witer Naves. O candidato recebeu 5.109 votos, correspondentes a 0,60% dos votos válidos, e terminou na quinta colocação entre os seis concorrentes.
Partido critica alinhamento político dos candidatos
Em nota oficial, o diretório estadual afirmou que as alianças políticas de Dorinha e Vicentinho são incompatíveis com os princípios da legenda. O partido também destacou que ambos manifestaram apoio a Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial.
Na avaliação do PSOL, apoiar qualquer uma das candidaturas ao governo estadual seria contraditório com a posição da legenda em defesa da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O partido também argumenta que os projetos apresentados pelos dois concorrentes não contemplam, de forma suficiente, suas prioridades programáticas.
Entre as pautas mencionadas estão a valorização dos servidores públicos, a defesa dos direitos trabalhistas, o fortalecimento da agricultura familiar, a proteção ambiental e a melhoria dos serviços públicos.
A resolução também destaca a defesa dos direitos das mulheres, da população negra, dos povos indígenas, das comunidades quilombolas, da população LGBTQIA+ e das pessoas com deficiência.
Eleitores terão liberdade de escolha
Apesar de rejeitar o apoio institucional aos dois candidatos, o PSOL não orientou seus filiados e eleitores a votar em branco ou anular o voto.
A direção estadual decidiu deixar a escolha a critério de cada eleitor, recomendando que sejam considerados os compromissos das candidaturas com a democracia, os direitos sociais e a proteção ambiental.
Segundo a legenda, a decisão de manter independência na disputa permitirá fiscalizar a próxima gestão estadual e cobrar políticas públicas, além de se posicionar contra medidas consideradas prejudiciais à população.
PSOL concentrará esforços na campanha de Lula
Enquanto não participará oficialmente das campanhas de Dorinha e Vicentinho no segundo turno estadual, o partido anunciou que concentrará esforços na disputa presidencial.
A direção estadual reafirmou apoio à reeleição de Lula e informou que pretende mobilizar a militância e ampliar o diálogo com a população tocantinense em torno da candidatura petista.
Com a decisão, o PSOL estabelece uma posição de independência na disputa pelo Palácio Araguaia, sem declarar apoio formal a nenhum dos dois concorrentes.
O segundo turno das eleições no Tocantins está marcado para o dia 25 de outubro, quando os eleitores escolherão o próximo governador do estado e também votarão para presidente da República.


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