Menino de 3 anos foi encontrado morto em Palmas; investigações apontam histórico de agressões, e Polícia Civil segue apurando a motivação do crime.
A morte do menino Gustavo Veloso Feitosa, de apenas 3 anos, comoveu o Tocantins e ganhou repercussão nacional. O caso, inicialmente apresentado pelo pai como um suposto afogamento, passou a ser tratado como homicídio após a perícia identificar diversas lesões incompatíveis com a versão apresentada.
O pai da criança, o advogado Igor Gustavo Veloso de Sousa, e a madrasta, Kathellen Moreira da Silva, foram presos preventivamente e, neste momento, respondem inicialmente pelos crimes de homicídio duplamente qualificado e tortura. A Polícia Civil continua investigando o caso para esclarecer a motivação do crime e aguarda resultados de exames complementares, que poderão alterar a tipificação penal.
Confira a cronologia do caso:
Histórico de agressões antecede a morte
Segundo a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), as investigações apontam que Gustavo já sofria agressões desde 2024.
De acordo com o delegado Eduardo Menezes, existem vídeos e fotografias que mostram a criança retornando machucada após visitar o pai. Em um dos registros, o menino aparece “nitidamente dopado”, conforme descreveu o delegado.
A mãe da criança, Sabrina da Silva Feitosa, também afirmou que o filho voltava das visitas com hematomas. Em um vídeo divulgado após a morte, Gustavo chora ao ser informado de que iria para a casa do pai e responde:
“Porque ele me bate.”
Segundo os advogados da mãe, Sabrina não impedia as visitas por receio de ser acusada de alienação parental. Paralelamente, ela mantinha uma ação judicial cobrando o pagamento de pensão alimentícia.
Ainda em 2023, Sabrina registrou uma denúncia de ameaça contra Igor Gustavo, quando o menino tinha apenas oito meses de idade.
Domingo (2): versão apresentada pelo pai
Segundo o depoimento prestado por Igor à Polícia Civil, por volta das 17h30 de domingo (2), Gustavo teria caído na piscina da residência.
O advogado afirmou que retirou o filho da água e que a criança não apresentou alterações no estado de saúde.
Ainda segundo seu relato, Gustavo foi colocado para dormir às 20 horas.
Na manhã seguinte, Igor declarou que viu o filho respirando por volta das 6 horas, mas, ao retornar ao quarto às 9 horas, encontrou o menino já sem sinais vitais.
Entretanto, conforme a Polícia Civil, os exames indicam que a morte provavelmente ocorreu ainda no domingo.
Segunda-feira (3): pai procura a polícia
Somente às 16h30 de segunda-feira (3), Igor procurou a Polícia Civil para comunicar a morte da criança.
A defesa afirmou que ele estava abalado emocionalmente e desorientado, razão pela qual demorou a procurar as autoridades.
Perícia identifica sinais de violência
Na mesma noite, foi realizado o exame pericial.
Segundo o laudo, Gustavo morreu com “crueldade, insensibilidade, indiferença e multiplicidade de lesões”.
Os peritos identificaram hemorragia interna, laceração intestinal e diversas lesões na cabeça e na face da criança.
Também foram solicitados exames complementares para verificar eventual presença de álcool, drogas e vestígios biológicos, cujos resultados ainda aguardam conclusão.
Terça-feira (4): despedida emociona o Tocantins
O velório de Gustavo foi realizado em Palmas e reuniu familiares e amigos.
Nas redes sociais, imagens da despedida provocaram grande comoção.
Uma das cenas mais marcantes mostrou um balão do Homem-Aranha — personagem favorito do menino — sendo solto durante a cerimônia.
Outra imagem amplamente compartilhada foi a da mãe, Sabrina, abraçada ao caixão do filho.
Quarta-feira (5): Polícia pede a prisão do casal
Após a análise das provas reunidas até aquele momento, o delegado Eduardo Menezes solicitou à Justiça a prisão preventiva de Igor Gustavo e Kathellen Moreira.
O pedido foi fundamentado nos elementos colhidos durante a investigação.
Quinta-feira (6): pai e madrasta são presos
Na madrugada de quinta-feira (6), equipes da Polícia Civil cumpriram os mandados de prisão.
Imagens divulgadas pela corporação mostram o momento em que os policiais informam ao casal sobre a decisão judicial.
A filha do casal, uma bebê de cinco meses, foi entregue aos familiares maternos.
Após passarem pela Delegacia de Homicídios e pelo Instituto Médico Legal (IML), Igor foi encaminhado à Casa de Prisão Provisória de Palmas e Kathellen à Unidade Penal Feminina.
Defesas se manifestam
A defesa de Igor Gustavo afirmou que o advogado se colocou à disposição da Polícia Civil assim que tomou conhecimento do pedido de prisão e que permaneceu em sua residência aguardando voluntariamente o cumprimento do mandado, sem oferecer resistência.
Os advogados informaram ainda que, neste momento, não irão comentar os detalhes da investigação.
Já a defesa de Kathellen Moreira declarou ter recebido a decisão com “profundo estarrecimento” e destacou que ela é mãe de uma bebê de cinco meses, que ainda é amamentada.
Os advogados anunciaram que pedirão a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares ou prisão domiciliar, argumentando a necessidade de preservar os direitos da criança.
Investigações continuam
A Polícia Civil informou que as investigações seguem em andamento para esclarecer toda a dinâmica da morte de Gustavo, definir a motivação do crime e concluir os laudos periciais pendentes.
Até o momento, pai e madrasta respondem inicialmente por homicídio duplamente qualificado e tortura, mas a tipificação poderá ser alterada conforme o avanço das investigações e os resultados dos exames complementares.
Fonte: G1 Tocantins



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