Documentários sobre o povo Xerente representarão o estado na 19ª edição do Festival Visões Periféricas, no Rio de Janeiro.
O cinema produzido no Tocantins conquistou espaço em um dos mais importantes eventos dedicados ao audiovisual independente do país. Os documentários “Da Aldeia à Universidade” e “Uma estrada que corta o território do Xerente” foram selecionados para a 19ª edição do Festival Visões Periféricas, que será realizado entre os dias 23 e 26 de julho, no Rio de Janeiro.
As produções tocantinenses retratam experiências, desafios e reflexões sobre o povo Xerente e integram a programação do festival, que contará com sessões presenciais gratuitas e exibições online.
Neste ano, o Visões Periféricas recebeu 856 inscrições de todo o Brasil, um crescimento de 70% em relação à edição anterior. Ao todo, apenas 69 filmes, representando 18 estados brasileiros, foram selecionados para compor a programação oficial.
Da aldeia para a universidade
Dirigido por Leandro de Alcântara e codirigido por Túlio de Melo, o curta-metragem “Da Aldeia à Universidade” acompanha a trajetória dos indígenas Srowasde Xerente e Krtadi Xerente, que deixam suas comunidades no Tocantins para ingressar no ensino superior.
Com 16 minutos de duração e classificação livre, o documentário mostra os desafios da adaptação à vida universitária, os impactos culturais dessa mudança e a busca pela formação acadêmica sem perder a conexão com as raízes indígenas.
A produção contou com assistência de Romário Srowasde Xerente, reforçando o protagonismo indígena na construção da narrativa.
Reflexão sobre território e desenvolvimento
Já o longa “Uma estrada que corta o território do Xerente”, dirigido por Túlio de Melo, propõe uma reflexão sobre os impactos do desenvolvimento em territórios indígenas.
Com 72 minutos de duração, a obra apresenta os conflitos provocados por uma estrada que atravessa a Terra Indígena Xerente e discute temas como infraestrutura, preservação ambiental, expansão urbana e proteção da cultura dos povos originários.
O documentário também teve assistência de direção de Romário Srowasde Xerente e Leandro de Alcântara e foi produzido com recursos da Lei Paulo Gustavo, além de já ter participado de outros festivais nacionais.
Festival valoriza produções de todo o país
O Festival Visões Periféricas é reconhecido por dar visibilidade a produções realizadas fora dos grandes centros urbanos e por incentivar narrativas ligadas às periferias, povos tradicionais e grupos historicamente pouco representados no audiovisual brasileiro.
Nesta edição, os filmes selecionados abordam temas como identidade, memória, meio ambiente, diversidade, culturas tradicionais, relações familiares, trabalho e direitos sociais.
Além das exibições, o festival promoverá o Visões Lab, laboratório gratuito voltado ao desenvolvimento de projetos audiovisuais, formação de realizadores e aproximação com o mercado cinematográfico.
Parte da programação estará disponível gratuitamente na plataforma Itaú Cultural Play entre os dias 23 de julho e 6 de agosto, ampliando o acesso do público às produções selecionadas.
A presença de duas obras tocantinenses na programação reforça a força do audiovisual produzido no estado e amplia a visibilidade das histórias e da cultura do povo Xerente no cenário nacional.


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