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Tarifa dos EUA sobre produtos brasileiros pode entrar em vigor nesta semana e ameaça exportações

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Tarifa dos EUA sobre produtos brasileiros pode entrar em vigor nesta semana e ameaça exportações
Donald Trump | Foto: Official White House/ Daniel Torok

Prazo definido pelo governo de Donald Trump termina na próxima quarta-feira (15). Caso não haja acordo, parte das exportações brasileiras poderá enfrentar tarifas de até 37,5% para entrar no mercado norte-americano.

A semana será decisiva para o comércio entre Brasil e Estados Unidos. Na próxima quarta-feira (15), termina o prazo estabelecido pelo governo do presidente norte-americano Donald Trump para o início da cobrança de uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos brasileiros exportados para o mercado dos Estados Unidos.

Enquanto a data se aproxima, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensifica as negociações diplomáticas na tentativa de evitar que a medida entre em vigor. Ministros brasileiros contestam os argumentos utilizados pelas autoridades norte-americanas para justificar a nova taxação.

A tarifa foi anunciada em 1º de junho, após a conclusão de uma investigação realizada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). O órgão afirma que a decisão está baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, utilizada para responder a práticas consideradas prejudiciais ao comércio norte-americano.

EUA apontam irregularidades em diferentes setores

No relatório divulgado pelo USTR, o Brasil é acusado de adotar práticas consideradas inadequadas em áreas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico — incluindo o sistema Pix —, políticas tarifárias, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais relacionadas ao combate ao desmatamento ilegal.

Em resposta, o governo brasileiro enviou um documento ao órgão norte-americano contestando as acusações. Entre os argumentos apresentados pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, está a afirmação de que o Pix não impede nem restringe a atuação de empresas estrangeiras no sistema financeiro brasileiro.

Tarifas podem chegar a 37,5%

Além da tarifa adicional de 25%, exportadores brasileiros ainda podem ser atingidos por outra sobretaxa de 12,5%, relacionada a uma investigação conduzida pelos Estados Unidos sobre supostos casos de trabalho forçado em diversos países.

Caso as duas medidas sejam aplicadas simultaneamente, alguns produtos brasileiros poderão enfrentar uma carga tarifária total de 37,5% para entrar no mercado norte-americano.

Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que cerca de 31,6% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos poderão ser atingidas pela tarifa máxima. Outros 3,6% dos produtos estariam sujeitos a uma alíquota de 12,5%.

Produtos ficarão fora da nova tarifa

Apesar do endurecimento das medidas, o governo norte-americano divulgou uma lista de produtos que permanecerão isentos da tarifa adicional de 25%.

Entre os itens excluídos estão:

  • Aeronaves e componentes aeronáuticos;
  • Suco de laranja;
  • Celulose;
  • Fertilizantes;
  • Minerais críticos e estratégicos;
  • Alimentos;
  • Insumos industriais considerados essenciais para cadeias produtivas dos Estados Unidos.

Debate também chega ao cenário político

A decisão norte-americana também repercutiu no cenário político brasileiro.

Durante audiência promovida pelo USTR, em Washington, o senador Flávio Bolsonaro (PL) atribuiu ao governo Lula a responsabilidade pelo agravamento das tensões comerciais entre os dois países e afirmou que o Brasil não teria enviado representantes para defender seus interesses.

O governo federal, por sua vez, rebateu a declaração e informou que a audiência tinha caráter consultivo, destinada a ouvir empresas e entidades que poderiam ser impactadas pelas novas tarifas.

Até o dia 1º de julho, o USTR informou ter recebido 335 manifestações formais de empresas e organizações brasileiras e norte-americanas, além de 30 contribuições apresentadas por pessoas físicas, incluindo uma enviada pelo senador Flávio Bolsonaro.

Com o prazo final se aproximando, a expectativa é de que as negociações entre os dois governos sejam intensificadas nos próximos dias. Caso não haja acordo até quarta-feira, a nova política tarifária poderá provocar impactos relevantes sobre diversos setores da economia brasileira que dependem das exportações para os Estados Unidos.

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