Crime que vitimou filho de ex-prefeito completou 12 meses nesta sexta-feira (20). Entre a dor da saudade e a espera por respostas, família mantém viva a memória de um homem da terra.
LAGOA DA CONFUSÃO – O calendário marcou, nesta sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026, uma data que o tempo ainda não foi capaz de suavizar. Há exatamente um ano, o cenário de celebração pelo aniversário do ex-prefeito Mauro Gaúcho transformou-se em um dos episódios mais sangrentos e dolorosos da história recente de Lagoa da Confusão: o assassinato brutal de seu filho, Leonel Almeida Rodrigues.

O Dia em que o Sol Não Brilhou
Era para ser um dia de festa em família. No entanto, o que se desenhou foi uma tragédia com requintes de crueldade. Leonel, um homem cujo destino estava selado pelo amor ao trabalho agrícola e à lida no campo, foi atraído para a fazenda da família no que as investigações e os parentes apontam como uma emboscada meticulosa.
Segundo os registros da Polícia Civil, Leonel foi atingido por um disparo no rosto, uma violência que interrompeu sua trajetória de forma instantânea. Após a execução, o rastro de terror continuou: os criminosos fizeram um caseiro e um mecânico reféns, utilizando-os como escudo para a fuga. No caminho, veículos foram abandonados e incendiados, em uma tentativa desesperada de apagar as provas e desaparecer no horizonte do cerrado.
O Desabafo de um Irmão
Em meio à dor que completa um ciclo de 365 dias, o irmão da vítima, Mauro Victor, quebrou o silêncio com um depoimento carregado de indignação e fé. Suas palavras direcionam o foco para a crueldade do ato e para a suspeita de que os envolvidos convivem na mesma comunidade, ocultos pelo silêncio.
“Hoje, 20 de fevereiro, deveria ser um dia de celebração pelo aniversário do meu pai. Mas essa data carrega uma dor irreparável: completa 1 ano que meu irmão foi tirado de nós”, lamentou Mauro Victor.
Em um tom incisivo, Mauro destacou que a família não vê o caso como um acaso, mas como um plano deliberado:
“Não foi uma fatalidade. Foi um ato de crueldade. Pessoas da nossa própria cidade, uma família que sabe muito bem o que fez, escolheram agir sem caráter e sem respeito pela vida humana. O tempo passa, mas a verdade permanece. O silêncio não apaga a culpa. A omissão não transforma erro em inocência.”
A Voz que Não se Cala
Um ano se passou, mas para quem ficou, o relógio parece ter parado naquele 20 de fevereiro. O vazio deixado por Leonel é preenchido hoje por uma busca incansável por respostas. Durante os últimos 365 dias, a cidade viu o rosto do jovem em outdoors, redes sociais e manifestações que clamam por uma única palavra: Justiça.
“Ele era um homem do trabalho, ligado à terra, o coração da nossa família. O que nos resta hoje é essa cobrança que não vai parar enquanto não soubermos quem e por que fizeram isso”, relata sua irmã, sob o peso da saudade.
O Caso sob Investigação
Até o momento, os executores do crime permanecem sem identificação oficial, o que alimenta o sentimento de impunidade que angustia a comunidade. A Polícia Civil mantém as investigações sob sigilo, mas a demora no esclarecimento do caso transformou o luto da família em uma bandeira de luta.
Leonel Almeida Rodrigues não é apenas um nome em um inquérito policial; ele é lembrado como o filho, o amigo e o trabalhador que teve a vida ceifada no dia que deveria ser de alegria para seu pai.
Fé na Justiça Divina
Para Mauro Victor, a espera pela justiça terrena é acompanhada por uma convicção espiritual inabalável.
“A justiça dos homens pode falhar, mas a Justiça de Deus não falha. Ela alcança todos, no tempo certo, e cobra de cada um conforme seus atos. Meu irmão vive na nossa memória, no nosso amor e na nossa luta por justiça”, finalizou o irmão.
O Legado da Memória
Hoje, o silêncio da ausência de Leonel é quebrado pelo clamor que ecoa em cada esquina. A cidade não esqueceu. A família não desistiu. Um ano depois, a esperança é que o próximo ciclo não seja de apenas cobranças, mas de justiça finalmente realizada, para que Leonel possa, enfim, descansar em paz e sua família encontrar o acalento que só a verdade pode trazer.
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