Decisão do STF reorganiza forças internas no governo e destrava conversas eleitorais que haviam sido interrompidas durante o afastamento do governador
A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou o retorno do governador Wanderlei Barbosa ao comando do Palácio Araguaia, no início de dezembro, produziu efeitos imediatos que vão além da retomada da agenda administrativa. No novo cenário político, a avaliação predominante dentro do governo é de que o calendário eleitoral de 2026 voltou ao centro das discussões, agora tratado como pauta concreta e estratégica.
Durante os três meses de afastamento, determinado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), integrantes do primeiro escalão que eram citados como possíveis candidatos optaram por reduzir a exposição pública e congelar articulações políticas. Entre eles estão Fábio Vaz (Educação), Atos Gomes (Juventude e Esporte), Kátia Chaves (Governadoria) e Hercy Filho (Turismo). À época, havia secretários com planos voltados tanto para a Assembleia Legislativa quanto para a Câmara dos Deputados, mas a indefinição sobre o comando do Executivo tornou qualquer movimentação eleitoral considerada de risco.
Com a volta de Wanderlei ao cargo, parte dessas conversas foi reativada. Nomeações recentes e tratativas em áreas comandadas por secretários com pretensões eleitorais são interpretadas, nos bastidores, como indicativos de que projetos políticos anteriores ao afastamento seguem válidos. Lideranças que já dialogavam sobre apoio a essas candidaturas também passaram a circular com mais frequência pelos gabinetes do governo.
As articulações, no entanto, avançam sob cautela. Pela legislação eleitoral, secretários que desejam disputar as eleições de 2026 precisam deixar os cargos até abril. O principal ponto sensível não é a desincompatibilização em si, mas a sucessão interna nas pastas. Não há garantias de que os substitutos manterão compromissos políticos já assumidos, o que impõe prudência às negociações em andamento.
O retorno de Wanderlei Barbosa também reconfigurou o equilíbrio de forças dentro da base governista. Segundo relatos recorrentes do meio político, o grupo formado por Dorinha, Gomes e Gaguim passou a exercer maior influência nas decisões estratégicas. Esse rearranjo elevou a necessidade de alinhamento prévio sobre quais nomes ligados ao governador devem entrar no jogo eleitoral, evitando sobreposição de candidaturas e disputas internas em 2026.
A aliados, Wanderlei já sinalizou que pretende retribuir o apoio político recebido durante o período de afastamento, especialmente de deputados estaduais, federais e senadores que mantiveram sustentação ao governo. Como o governador reafirmou que concluirá o mandato e não disputará uma vaga ao Senado, a expectativa no entorno do Palácio Araguaia é de que ele atue de forma direta na construção de palanques e no fortalecimento de aliados na próxima eleição.
Nos bastidores, o entendimento é pragmático: o afastamento interrompeu movimentos, mas não encerrou projetos. Com Wanderlei de volta ao comando do Estado, as conversas que haviam sido suspensas voltaram à mesa — agora sob o relógio eleitoral e com um número maior de atores interessados em espaço e protagonismo político em 2026.




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