quinta-feira , 15 outubro 2026
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Morte em operação no Pará acende alerta para riscos em desintrusões semelhantes no Tocantins

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Morte em operação no Pará acende alerta para riscos em desintrusões semelhantes no Tocantins
Território indígena Apyterewa | Foto: Bruno Peres/Agência Brasil & Gilvan Alves/TV Brasil

Assassinato durante retirada de gado ilegal em terra indígena expõe tensões e desafios de segurança em ações ambientais, como as realizadas na Ilha do Bananal

O assassinato do vaqueiro Marcos Antônio Pereira da Cruz, de 38 anos, durante uma operação de desintrusão na Terra Indígena Apyterewa, no Pará, reacendeu o debate sobre os riscos enfrentados por agentes públicos e trabalhadores que atuam em ações de retirada de ocupantes irregulares de áreas protegidas. O caso chama atenção, especialmente, para operações de natureza semelhante que vêm sendo conduzidas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Tocantins, com destaque para a Ilha do Bananal.

No Pará, Marcos Antônio foi morto em uma emboscada enquanto auxiliava o Ibama na retirada de gado criado ilegalmente dentro do território indígena. A ação integra o cumprimento de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 709, que determinou a desocupação de terras indígenas invadidas. Após o crime, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) solicitou apoio da Polícia Federal, que investiga as circunstâncias e a autoria do homicídio.

Embora, até o momento, não haja registros de confrontos armados no Tocantins, o estado vive um cenário de tensão semelhante. Na Ilha do Bananal, o Ibama notificou dezenas de ocupantes irregulares para que desocupem a área até 31 de dezembro de 2025, promovam a retirada de rebanhos e desmontem estruturas utilizadas na pecuária ilegal. A medida atende determinação judicial e busca conter o avanço do desmatamento, da degradação ambiental e de incêndios criminosos em Terras Indígenas da região.

Assim como ocorre na Terra Indígena Apyterewa, a ocupação irregular na Ilha do Bananal está diretamente associada à criação ilegal de gado, à abertura de pastagens e ao uso recorrente do fogo para limpeza de áreas. Somente em 2024, mais de 1 milhão de hectares foram atingidos por incêndios na ilha, considerada a maior ilha fluvial do planeta e uma das regiões ambientalmente mais sensíveis do país.

Como parte das medidas de contenção, o Ibama determinou à Agência de Defesa Agropecuária do Tocantins (Adapec) a suspensão da emissão de Guias de Trânsito Animal (GTA) para a Ilha do Bananal, permitindo apenas a emissão nos casos de retirada de rebanhos já existentes. A iniciativa visa impedir a expansão da pecuária ilegal e dificultar a permanência de atividades econômicas irregulares dentro do território protegido.

Especialistas e órgãos ambientais alertam que operações de desintrusão costumam gerar forte resistência por parte de antigos ocupantes, especialmente em áreas onde a exploração econômica ocorre há anos. No caso do Pará, segundo a Funai, a emboscada que resultou na morte do vaqueiro teria sido praticada por ex-moradores que continuam invadindo a terra indígena para manejar gado remanescente.

O episódio evidencia a necessidade de reforço na segurança das equipes envolvidas nessas operações e de atuação integrada entre órgãos ambientais, forças de segurança e instituições de justiça. Também expõe a complexidade dos conflitos fundiários em territórios indígenas, realidade que não se restringe ao Pará e que segue presente no Tocantins, onde ações semelhantes continuam em andamento sob clima de apreensão e vigilância.

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