Entidade denuncia uso indevido de verba pública destinada à alimentação de pessoas vulneráveis e cobra rigor na apuração de responsáveis
O Centro de Direitos Humanos de Cristalândia – Dom Heriberto Hermes emitiu, no último sábado (6), uma nota pública manifestando “extrema preocupação” com os fatos revelados pela Operação Fames-19, que levou ao afastamento do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) e expôs supostos esquemas de desvio de recursos públicos envolvendo políticos, agentes públicos e deputados.
Segundo a entidade, trata-se de um “crime de lesa-pátria e de desumanidade”, uma vez que verbas destinadas à compra de cestas básicas durante a pandemia da Covid-19 teriam sido utilizadas para benefício pessoal e político. A operação apura contratos de mais de R$ 97 milhões para fornecimento de cestas básicas e frangos congelados, com prejuízo estimado em R$ 73 milhões aos cofres públicos.
O coordenador do centro, padre Eduardo Lustosa de Alencar, reforça que os esquemas de corrupção enfraquecem as instituições e a confiança da população: “Há anos, o Tocantins presencia sucessivas cassações de governadores, inelegibilidades de políticos e até afastamentos de magistrados, um ciclo de corrupção que enfraquece as instituições e a confiança pública”, diz a nota.
O documento também ressalta a realidade dramática da fome no estado: “Mães diluindo leite com água para alimentar os filhos, crianças chorando ao ganharem um pacote de bolacha, e até casos extremos como o suicídio de um adolescente cercado pela pobreza”. Por isso, a entidade exige que a Operação apure com rigor todos os envolvidos, garantindo o contraditório e a ampla defesa, mas buscando responsabilização penal, civil e administrativa exemplar dos culpados.
A nota também faz um reconhecimento ao prefeito de Colinas, Josemar Carlos Casarin (UB), citado pela Polícia Federal como exemplo de conduta íntegra e firme ao se recusar a participar de ilegalidades identificadas no processo. “Reconhecemos e valorizamos a postura íntegra de agentes públicos que resistiram a esses esquemas”, reforça o coordenador.
O centro finaliza o documento com uma mensagem de justiça e incentivo à coerência e à solidariedade: “Que prevaleça a justiça, e que os bons exemplos sejam replicados, para que possamos ser lembrados por darmos dignidade aos mais necessitados”, conclui padre Eduardo Lustosa de Alencar.




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