sábado , 6 junho 2026
Estado

Denúncia no MPF e CONAREDD+ questiona Programa de REDD+ Jurisdicional do Tocantins por violações a direitos de comunidades tradicionais

84
Denúncia no MPF e CONAREDD+ questiona Programa de REDD+ Jurisdicional do Tocantins por violações a direitos de comunidades tradicionais
Foto: Divulgação

Movimentos sociais pedem suspensão do programa até que haja regularização fundiária e respeito à consulta prévia, livre e informada

Representantes da sociedade civil protocolaram nesta segunda-feira (7) uma denúncia formal junto ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Comitê Nacional de Salvaguardas do REDD+ (CONAREDD+), apontando irregularidades no Programa de REDD+ Jurisdicional do Tocantins. A ação é liderada pela Articulação Tocantinense de Agroecologia (ATA) e conta com o apoio de diversas organizações que atuam em defesa de comunidades tradicionais, como quilombolas e quebradeiras de coco babaçu.

A denúncia foi entregue durante uma reunião com o MPF e contou com a presença de entidades como a Coordenação Estadual das Comunidades Quilombolas do Tocantins (COEQTO), a Alternativas para Pequena Agricultura no Tocantins (APA-TO), a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e a Defensoria Pública do Estado do Tocantins (DPE-TO).

Ausência de consulta e falta de transparência

De acordo com os denunciantes, o Governo do Tocantins estaria descumprindo a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) ao não garantir a realização da Consulta Livre, Prévia e Informada (CLPI) com as comunidades afetadas. Segundo a ATA, as consultas têm se limitado aos subprogramas de repartição de benefícios, sem abordar o programa REDD+ em sua totalidade.

As organizações também criticam a Instrução Normativa nº 1/2025, que regula o processo de CLPI no estado, argumentando que ela é insuficiente para assegurar a compreensão dos impactos reais do programa. Os movimentos exigem a revogação da norma e a reformulação do processo de consulta.

Regularização fundiária é outro ponto crítico

Outro eixo da denúncia refere-se à ausência de regularização fundiária dos territórios tradicionais. As entidades afirmam que o Estado precisa implementar medidas concretas para garantir a titulação de áreas quilombolas e o cumprimento da Lei Estadual do Babaçu Livre (Lei nº 1.959/2008), que protege os modos de vida das quebradeiras de coco babaçu.

Também é solicitada a revogação da Lei Estadual nº 3.525/2019, que, segundo os movimentos, legitima registros imobiliários irregulares e fere direitos territoriais. A constitucionalidade da norma está sendo analisada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Nota da Semarh

Em nota enviada ao Jornal Opção Tocantins, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) afirmou que o Programa REDD+ está sendo conduzido com “transparência, inclusão e respeito aos direitos das comunidades tradicionais”.

A secretaria destacou que o processo de CLPI segue os padrões estabelecidos nas Salvaguardas de Cancún e que as oficinas estão sendo realizadas com respeito às culturas e prioridades das comunidades envolvidas. A Semarh ainda defende a legitimidade da Instrução Normativa nº 1/2025, alegando que foi construída com base em diálogos técnicos e validações junto às comunidades.

Quanto à regularização fundiária, a Semarh declarou que essa é uma responsabilidade federal, mas que o Estado atua como parceiro. Foram citadas ações como a titulação do Quilombo Matão, em Conceição do Tocantins, e a criação da Câmara Técnica de Governança Fundiária – Terras Quilombolas (CTGF), vinculada ao Núcleo de Prevenção e Regularização Fundiária (NUPREF). A secretaria também mencionou um acordo de cooperação com o Incra e outras instituições para fortalecer a regularização fundiária no estado.

Entidades signatárias

A denúncia é assinada por diversas entidades, entre elas:

  • Coordenação Estadual das Comunidades Quilombolas do Tocantins (COEQTO)

  • Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB)

  • Alternativas para a Pequena Agricultura no Tocantins (APA-TO)

  • Comissão Pastoral da Terra (CPT)

  • Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São Sebastião, Buriti e Esperantina (STTR Regional)

  • Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST – TO)

  • ASMUBIP – Bico do Papagaio

  • Movimento Estadual de Direitos Humanos (MEDH-TO)

  • UNICAFES-TO

  • COOAF-Bico

  • Instituto Terra, Direito e Cidadania (ITDC)

  • Núcleo NEUZA – UFNT

A Articulação Tocantinense de Agroecologia reforça que a mobilização busca garantir os direitos constitucionais das comunidades tradicionais, promover a justiça socioambiental e assegurar que os benefícios de políticas climáticas como o REDD+ não sejam implementados à custa de violações de direitos coletivos.

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

Governador Wanderlei Barbosa homologa resultado final do concurso da PGE Tocantins
Estado

Governador Wanderlei Barbosa homologa resultado final do concurso da PGE Tocantins

Certame ofertou 10 vagas para procurador do Estado e integra o maior...

Grupo Damaso fortalece parcerias estratégicas durante maior feira supermercadista do mundo em São Paulo
Estado

Grupo Damaso fortalece parcerias estratégicas durante maior feira supermercadista do mundo em São Paulo

  Empresários tocantinenses participaram da Apas Show 2026 em busca de novos...

Presidente da ATM participa de reunião da CNM e reforça defesa dos Municípios antes da XXVII Marcha a Brasília
Estado

Presidente da ATM participa de reunião da CNM e reforça defesa dos Municípios antes da XXVII Marcha a Brasília

  Big Jow debate pautas prioritárias do movimento municipalista, alerta para impactos...

ATM participa da Agrotins 2026, instala stand institucional e destaca benefícios da feira para os 139 municípios do Tocantins
Estado

ATM participa da Agrotins 2026, instala stand institucional e destaca benefícios da feira para os 139 municípios do Tocantins

Presidente da entidade, Big Jow, ressaltou impacto econômico, fortalecimento da agricultura familiar...

error: O conteúdo é protegido!!