Levantamento do MapBiomas aponta que as bacias do Alto Tocantins e do Araguaia perderam juntas 5,6 milhões de hectares de vegetação próxima aos rios entre 1985 e 2025. Em todo o bioma, a perda chegou a 51,7 milhões de hectares no período.
O Tocantins mantinha, em 2025, mais de 50% da vegetação nativa do Cerrado em seu território, segundo dados da Coleção 11 do MapBiomas, divulgados na quinta-feira (8 de outubro). Apesar da conservação de parte significativa da cobertura vegetal, o levantamento revela perdas expressivas de vegetação nas áreas próximas aos rios e em importantes bacias hidrográficas.
O estado faz parte do Matopiba, região que reúne Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Juntos, os quatro estados concentravam 47,7% da vegetação nativa remanescente do Cerrado, conforme o levantamento.
Os dados também mostram que, entre 1985 e 2025, as bacias hidrográficas do Alto Tocantins e do Araguaia perderam, juntas, 5,6 milhões de hectares de vegetação nativa em faixas de até 500 metros dos cursos d’água. Os números abrangem as bacias hidrográficas e não se referem exclusivamente ao território tocantinense.
Bacias do Alto Tocantins e do Araguaia registram perdas expressivas
Entre as seis grandes bacias com origem no Cerrado analisadas pelo levantamento, a do Alto Tocantins apresentou a maior redução de vegetação nativa próxima aos rios, com perda de 2,9 milhões de hectares no período.
Na bacia do Araguaia, a redução chegou a 2,7 milhões de hectares. Somadas, as duas bacias responderam por aproximadamente 41% da perda de vegetação registrada nessas faixas em todo o bioma.
Os dados evidenciam a pressão sobre áreas importantes para a conservação ambiental e para a manutenção dos recursos hídricos, especialmente em regiões onde a expansão das atividades agropecuárias transforma a paisagem natural.
Retirada da vegetação pode comprometer recursos hídricos
Em todo o Cerrado, a perda de vegetação nativa nas áreas próximas a rios e outros cursos d’água alcançou 13,9 milhões de hectares entre 1985 e 2025. Essa extensão corresponde a 26,9% de toda a vegetação nativa convertida para outros usos no bioma.
Segundo Bárbara Costa, analista de pesquisa do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e integrante da equipe Cerrado do MapBiomas, a remoção dessa vegetação pode prejudicar a qualidade e a disponibilidade da água, além de aumentar a vulnerabilidade a períodos de seca e episódios de chuvas intensas.
“A vegetação próxima aos rios ajuda a proteger o solo, reduzir a erosão e evitar que sedimentos cheguem aos cursos d’água”, explicou.
A vegetação que acompanha os rios, conhecida como mata ciliar, desempenha papel importante na proteção das margens, na redução do assoreamento e na conservação dos ecossistemas aquáticos.
Cerrado perdeu 51,7 milhões de hectares de vegetação nativa
O levantamento do MapBiomas aponta que o Cerrado perdeu, em termos líquidos, 51,7 milhões de hectares de vegetação nativa entre 1985 e 2025, uma redução de 34% em relação à cobertura registrada no início da série histórica.
Considerando também as transformações ocorridas antes de 1985, a perda acumulada alcançou 49,6% da vegetação original do bioma em 2025.
No mesmo intervalo, a área ocupada pela agropecuária aumentou de 46,7 milhões para 97,9 milhões de hectares, passando a representar 48,9% do Cerrado.
Segundo os dados apresentados, 77,7% da perda de vegetação nativa ocorreu em áreas privadas, evidenciando a importância das decisões de uso e ocupação do solo para a conservação do bioma.
Conservação continua sendo um desafio para o Tocantins
Embora o Tocantins e os demais estados do Matopiba mantenham mais da metade da vegetação nativa em suas respectivas porções de Cerrado, os números sobre as bacias hidrográficas demonstram a dimensão das mudanças ambientais ocorridas nas últimas quatro décadas.
O levantamento não detalha, nas informações divulgadas, o percentual exato de vegetação nativa preservada especificamente no Tocantins. Ainda assim, os dados reforçam a importância de proteger as áreas próximas aos rios, recuperar trechos degradados e conciliar as atividades produtivas com a conservação dos recursos naturais.
A manutenção da vegetação nativa é considerada fundamental para a proteção dos solos, a preservação da biodiversidade e a segurança hídrica de comunidades e atividades econômicas que dependem dos rios do Cerrado.


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