Investigação aponta superfaturamento de serviços, evolução patrimonial incompatível e até indícios de agiotagem
A Polícia Civil do Tocantins prendeu preventivamente o ex-gerente de fazenda Péricles Antônio Pereira, suspeito de desviar cerca de R$ 10 milhões de uma propriedade rural em Miranorte. A prisão ocorreu na última terça-feira (7), no âmbito de uma investigação que apura crimes financeiros e possíveis fraudes na gestão da fazenda.
De acordo com as investigações, Péricles recebia salário mensal de aproximadamente R$ 26 mil, mas apresentou uma evolução patrimonial considerada incompatível com sua renda. Dados levantados pela polícia indicam que, entre 2023 e 2024, o patrimônio do investigado teria saltado de cerca de R$ 200 mil para R$ 1,9 milhão.
Segundo a Polícia Civil, o ex-gerente utilizava sua posição para superfaturar serviços contratados por meio de empresas terceirizadas. A diferença entre os valores reais e os pagos seria desviada para contas pessoais e de terceiros envolvidos no esquema.
Além do investigado, outras pessoas e empresas também estariam ligadas às irregularidades. Parte do dinheiro desviado, conforme apurado, foi transferida para contas de terceiros e para uma empresa que também teve valores bloqueados por decisão judicial.
A Justiça determinou o bloqueio de R$ 10 milhões nas contas de Péricles e de sua esposa, além de R$ 1,6 milhão em contas da empresa apontada como participante do esquema.
Durante a investigação, a polícia teve acesso a dados digitais do suspeito mediante autorização judicial. Foram identificadas pesquisas na internet relacionadas a investimentos e renda passiva, como “como viver de renda com R$ 2,5 milhões” e simulações para manter um custo mensal elevado sem trabalhar.
Para os investigadores, o conteúdo indica uma tentativa de planejar a manutenção do patrimônio e possíveis estratégias para se resguardar diante de investigações. O valor pesquisado coincide com quantias encontradas em contas do investigado, o que reforçou as suspeitas.
As apurações também revelaram indícios de práticas de agiotagem. Documentos analisados pela 6ª Divisão Especializada de Investigação Criminal (DEIC) apontam a existência de planilhas com controle de empréstimos ilegais.
Depoimentos colhidos durante a investigação indicam ainda que prestadores de serviço relataram comportamentos intimidatórios durante cobranças, incluindo suposto uso de arma de fogo.
Em nota, a defesa de Péricles Antônio Pereira afirmou que o investigado é inocente e que ainda não teve acesso integral aos autos do processo. Segundo os advogados, o patrimônio foi construído ao longo de mais de 20 anos de trabalho no meio rural, sem histórico de envolvimento em práticas ilícitas.
A defesa também destacou que as acusações serão devidamente esclarecidas no curso do processo, respeitando o contraditório e a ampla defesa.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que busca aprofundar a apuração sobre o suposto esquema e identificar todos os envolvidos.
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