Investigação da Operação Fames-19 indica que mais de R$ 2,4 milhões foram destinados à construção da Pousada Pedra Canga em Taquaruçu; governador afastado do Tocantins nega irregularidades.
A Polícia Federal (PF) identificou que parte dos recursos públicos desviados durante a pandemia de Covid-19 no Tocantins foi utilizada na construção de uma pousada de luxo em nome do filho do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos). Segundo a investigação, cerca de R$ 2,4 milhões teriam sido aplicados na obra da Pousada Pedra Canga, localizada na Serra de Taquaruçu, distrito da capital, Palmas, entre julho de 2022 e julho de 2024.
O empreendimento está registrado em nome de Rérison Antônio Castro Leite, filho do governador, que foi afastado do cargo por 180 dias nesta quarta-feira (3), decisão do ministro Mauro Campbell, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A medida será analisada pelos demais ministros do tribunal.
De acordo com a PF, Wanderlei Barbosa é suspeito de chefiar a organização criminosa, que teria desviado recursos provenientes de emendas parlamentares para contratos de fornecimento de cestas básicas e frangos congelados durante a pandemia. Entre as provas está uma interceptação de conversa entre Rérison e Marcos Martins Camilo, então chefe de gabinete do governador, na qual o filho indica que o pai teria solicitado que o patrimônio fosse registrado em seu nome.
A investigação também apontou que o balanço financeiro da pousada foi manipulado para indicar os aportes como provenientes de um “Investidor-Anjo”, estratégia usada para ocultar o real destinatário dos recursos.
Desvio de recursos
A PF apura fraudes em contratos realizados entre 2020 e 2021, período em que foram compradas cerca de 1,6 milhão de cestas básicas. Os contratos, que somavam quase R$ 5 milhões, teriam sido pagos, mas nem todas as cestas foram entregues à população. Na época, as compras e o aluguel de caminhões foram feitas sem licitação, sob decreto de emergência estadual.
Segundo os investigadores, os valores desviados também teriam sido aplicados em outros empreendimentos de luxo, compra de gado e despesas pessoais dos envolvidos.
Nota de Wanderlei Barbosa
Em nota, o governador afastado declarou:
“Recebo a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) com respeito às instituições, mas registro que se trata de medida precipitada, adotada quando as apurações da Operação Fames-19 ainda estão em andamento, sem conclusão definitiva sobre qualquer responsabilidade da minha parte. É importante ressaltar que o pagamento das cestas básicas, objeto da investigação, ocorreu entre 2020 e 2021, ainda na gestão anterior, quando eu exercia o cargo de vice-governador e não era ordenador de despesa.
Reforço que, por minha determinação, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e a Controladoria-Geral do Estado (CGE) instauraram auditoria sobre os contratos mencionados e encaminharam integralmente as informações às autoridades competentes.
Além dessa providência já em curso, acionarei os meios jurídicos necessários para reassumir o cargo de Governador do Tocantins, comprovar a legalidade dos meus atos e enfrentar essa injustiça, assegurando a estabilidade do Estado e a continuidade dos serviços à população.”




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